sábado, 26 de dezembro de 2009

Em dia de Natal

Em dia de Natal,
lindo sol frio em Londres, dessa vida brazuca de família longe e amigos perto, uma mistura estranha de aperto no coração e de sensação de conquista. Óbvio que está tudo bem, não tem como dar errado em Londres, mas é doce-amargo Natal ensolarado - mas frio - e gostoso - mas solitário, apenas caminhando pelos parques da vizinhança desse bairro turco onde estou que teve vida normal hoje.

Em dia de Natal,
Picasa Londrino atualizadinho!

Em dia de Natal,
meus pais e a Ghê merecem meus agradecimentos especiais por terem de fato comprado créditos Skype e ligado para me desejar feliz Natal!

Em dia de Natal,
leiam: Zapatero falando do Lula no El País.
Demais!

Em dia de Natal,
uma constatação: só tenho mais amanhã e domingo de dia inteiro em Londres. 2a é dia de pegar vôo, me programar para ir até o aeroporto, essas coisas. E aí, como assim acabou tão rápido??
Ok, ok, eu fiz tudo que eu queria e mais um pouco, ainda tenho dois dias para complementar isso, e estou bem feliz com tudo o que eu visitei, ainda que não visitei com pressa, visitei com calma. Não fiz "check" nos pontos turísticos. Ufa. Mas mesmo assim, fica a pergunta: jáááááááááá???
E aí fica a conclusão: não importa a quantidade de dias, para Londres isso sempre será insuficiente. Acho ótimo, fica o gostinho de quero mais, e fica a certeza de que não demorarei, certamente, mais dez anos para voltar para cá.

Em dia de Natal,
os planos de amanhã:
um pulinho em Notting Hill;
uma atrevidinha passada na Oxford St em plena liquidação descontrolada de Boxing Day, na qual Londres vem abaixo - quem sabe que não me dou um ou outro auto-presente de Natal?;
um pulinho no Winter Wonderland, para andar de carrossel em plena Hyde Park Corner;
e se as pernas permitirem, uma andadinha até a Harrods. Ufa.

Em dia de Natal, minhas palavras de Natal de vocês... já foi lido na ceia de Natal e no almoço de Natal também, e agora, publico o texto aqui.

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Palavras de Natal

Queridos,

Mesmo que à distância, estou aí com vocês no coração.

E exatamente por isso, resolvi escrever essas palavras para que o Edu as leia a vocês.

Ter vindo a Copenhague foi uma das coisas mais importantes que poderia ter acontecido para mim nesses últimos tempos. E é daqui que escrevo essa mensagem de Natal.

Tenho pensado muito na mensagem que eu escreveria para vocês e como poderia estar bem representada por aí, e a minha mensagem começa pela família. Principalmente para quem está longe, sentir o amor à distância é maravilhoso... E a vida é feita disso, de trocas bonitas e sinceras com as pessoas, da forma que vivemos na família. E é engraçado isso, porque exatamente na ausência é que sinto vocês muito presente, como se eu tivesse trazido um pouquinho de cada um de vocês na mala. Isso dá um calorzinho gostoso no coração, e me ajuda a perceber a importância de ter uma família tão especial. E mais: se na ausência se faz presente, é lindo colocar nossas vidas em perspectivas e pensar nelas como a continuidade de uma longa trajetória. Nessa hora, menciono as pessoas especiais que não estão mais entre a gente. É nelas que busco a inspiração, a força, e o exemplo para seguir o meu caminho.

Outra coisa que Copenhague fez comigo: o que eu vivi aqui renovou minha fé na humanidade. Independentemente de um acordo oficial entre os governos, tamanha mobilização popular (os olhos do mundo se voltaram para cá) por um tema que não é financeiro (crise econômica do ano passado) e nada tem a ver com algum conflito (11 de setembro ou a queda do muro de Berlim) nunca tinha antes acontecido. Estávamos aqui discutindo o legado que deixaremos na natureza para as próximas gerações, em palavras simples. E o mundo mudou no momento em que ele parou e pousou seus olhos sobre Copenhague discutindo esse tema tão delicado e essencial, e ao mesmo tempo, tão intangível (ainda). Tanto faz o acordo oficial que sair se cada um de nós fizer nossas próprias mudanças a favor das próximas gerações. É disso que se trata a lição aprendida em Copenhague. E, dada a mobilização que ocorreu, parece que as pessoas estão sim dispostas a fazer suas mudanças. Isso é bonito de ver.

E, por último, Copenhague – e tudo o mais – tem me ensinado que sonhos existem para serem realizados. E que nós estamos preparados para lutar pela realização dos nossos sonhos – basta arregaçar as mangas. Dois mil e nove foi um aninho difícil, mas eu cheguei até o final. Sonho realizado de forma fácil não é a mesma coisa, afinal das contas. O mínimo que eu posso desejar para cada pessoa que me é especial, é que ele realize seus sonhos.

Então,

com essa linda ausência muito presente da família e do calorzinho no coração que isso dá;

com uma fé na humanidade renovada e com a certeza de que saberemos, cada um de nós como indivíduos, fazer o melhor pelo nosso mundo e por nossas futuras gerações;

e com o desejo que cada um de vocês e todos nós sejamos sempre sábios e fortes para correr atrás dos nossos verdadeiros sonhos;

desejo a vocês um Natal iluminado na presença do Menino Jesus, e um 2010 abençoado e muito feliz.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Fotos novas, de Londres!

Vejam aqui:

Depois eu escrevo mais sobre essa cidade maravilhosa...
Amanhã vou na missa de Natal na St Pauls. Uhul.

Beijo no coração,

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Linha direta

Já que ninguém me ligou em Copenhague para desejar boa sorte na Conferência,
resolvi dar uma canja e fazer uma linha direta londrina.
Vocês podem comprar créditos Skype e fazer uma chamada baratinha para meu celular britânico:
+ 44 79 7064 2001
Será ótimo ouvir vocês me desejando feliz Natal.
Eu ficarei tão feliz que vai dar para ouvir meu sorrido pelo telefone. Prometo.
Beijos no coração,

London, dez depois

Voltei.

Ontem, no aeroporto, entre a imigração e a esteira das bagagens, andando naquele corredor enorme com as esteiras gigantes, eu ria sozinha vendo fotos enormes da cidade mágica na parede.

Dez anos depois, voltei para visitar a Rainha. Que delícia que é estar aqui!! Há exatos dez anos, começavam meus planos de morar fora algum tempo. Agora, cá estou eu. Não para morar aqui, mas pronta para Londres de novo.

Londres é a São Paulo da Europa - gente de todo o mundo vem viver seus sonhos dourados aqui. Todas as línguas são faladas ao mesmo tempo, agora. Tanto isso que tinham cinco chineses causando mega na imigração (tenho a impressão que eles estavam fazendo algum tipo de trambique imigratório, porque eram cinco e barulhentos e falavam no telefone e não pareciam relaxados), e aí acho que o immigration officer viu uma brasileira com cara de simpática chegando de Copenhague e com um visto suíço no passaporte e resolveu não encrencar.

A única pergunta dele foi: what is the purpose of your visit?
E eu: The Christmas Hollidays!, sorrindo.
E ele: And so welcome do London and Merry Christmas to you, Ms Chammas.
Um fofo.
E mais: o que um sorriso sincero não conquista nesse mundo?

Daí encontrei meu amigo do peito, irmão mais velho Phitz em Kings Cross.
De novo, ser bem recebida é sempre um bom começo. Nos perdemos babstante, com todas as minhas malas vagando pela cidade, para chegar até a minha habitação, mas chegamos. Não é o lugar mais legal do mundo para se estar, mas é ok, tranquilo, limpinho, com boa cama, péssimos banheiros, e conexão internética terrível desesperadoramente.

Deixamos as malas aqui, eu fiquei na dúvida entre: A - um quarto gelado e sem cheiro de cigarro; ou B - um quarto quentinho, com cheiro de cigarro. Optei pelo B, achei que meu conforto térmico fosse mais importante nesse inverno. Não sei se foi uma boa opção - essa noite sonhei que estava nadando em um cinzeiro. Pelo menos dormi super bem e não passei frio. Mas para um ex-fumante, foi quase uma tortura...

Hoje quando eu acordei, com o telefonema da Si, quase meio dia, marcando de me encontrar com ela, veio a seguinte pergunta à minha cabeça: O QUE EU QUERO FAZER HOJE??????
Não sei há quanto tempo que eu não me faço essa pergunta. Férias, finalmente. Sem obrigações com ninguém. Só eu, inventando o que fazer, e fazendo o que eu bem entender. Então fui para Covent Garden, onde almocei bem, muito bem, tomei uma taça de vinho, e fiquei flaneur observando aquelas pessoas todas em suas comemorações natalinas, e compras natalinas.

De lá peguei o metrô para encontrar a Si e o Dudu, queridos. Eu queria ver o rio, passear ao lado do rio, une promenade. Dia errado para ter uma vontade dessas, d. Mariana!! Chovia garoa forte... depois, começou a nevar. A essas alturas, já tínhamos desistido da nossa caminhada no Rio e fomos para um centro cultural em South Bank, onde colocamos nossas conversas em dia tranquilamente, vendo a neve cair lá fora. Quando a neve cessou, o parque estaria branco! E foi para lá que fomos: o parque que a Si gosta de ir quando neva. Então, de St James víamos Buckingham e víamos a Londo Eye e a House of Parliament. Um tchauzinho para a Rainha, algumas fotos, e de volta. Encontrar amigos queridos é delicioso. Hoje eu quase me senti em casa, em Londres.

Neve em Londres é linda, mas é chata. A neve derrete, fica molhada, e o chão parece uma pista de patinação de gelo, super escorregadio. Saudades da neve "seca" de Copenhague.

Voltei para casa, passeei um pouco aqui pela região, entrei na Gap e na Marks & Spencers. Londres é deliciosa, assim, natalina. Estou com vontade de comprar o mundo, mesmo. Duas coisas me limitam, apenas: minha conta bancária e minha mala. Já tinha entrado na Monsoon e passado por tentações... agora na Gap, então... e na Marks & Spencers... aiaiaiaiaiai... Eu só queria ter um inverno estiloso, europeiamente estiloso.

Sem mexer muito na minha mala, essa história de ficar com um suéter basiquinho e calça jeans está começando a me enjoar. As mulheres aqui são maravilhosas, sabem se vestir pro inverno, é uma coisa de louco o que elas fazem com essas montagens. Tudo que eu quero é me instalar em Genebra, pendurar meus terninhos e calças de lã (para tirar da cabeça essa voz que fica martelando todo o tempo "suas roupas de lã estão amarrotando naquela mala, Mariana").

Com relação aos meus sonhos de consumo, as únicas coisas que eu comprei hoje foram acetona, esmalte (vermelho), um SIM Card, e bilhete de metrô. Aparentemente está tudo sob controle então. Mas tem uma blusa na Gap de 35 pounds que aimeudeus... o ruim é que 35 pounds é um montante e tanto! Em compensação, a blusa é de cashmir... e eu serei uma das mais bem vestidas no inverno brasileiro com aquela blusa. Let's sleep over it e esperar respostas para esse dilema nos meus sonhos. Até porque, dia 26 de dezembro Londres vem abaixo liquidando. E nesse dia, tudo pode acontecer... (ou não, e aí eu só compro shampoo ao invés de acetona)

Mas enfim, Londres é linda. E é delicioso estar aqui.
O que eu vou fazer amanhã?
Vou decidir quando eu acordar.

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Copenhague: do caos ao caos
Acho que a cidade entrou em colapso com a Conferência. Coitados dos dinamarqueses.
Ontem o aeroporto estava caóticos, vôos atrasados, pessoas desesperadas, gente correndo, funcionários sem dar conta de nada...
Daí, não me pergunte como, dois indianos que estavam na COP estavam no avião. E eles foram presos, em uma cena cinematográfica: polícia entrando no avião e revistando passageiro por passageiro, passaporte por passaporte. A pergunta que fica é: porque os passageiros foram tão longe?? Como eles chegaram até dentro do avião para só então serem presos?? E mais: o que é que eles fizeram para ser presos??
Resumo da ópera: entre atrasos copenhaguinos, londrinos, e cenas hollywoodianas da polícia no avião, meu vôo atrasou quase uma hora e meia. Melhor tardar do que falhar - eu finalmente cheguei.

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Malas, essa aventura que me persegue
Ok, então já estou na minha segunda cidade.
Minhas malas continuam sendo minha aventura.
Primeiro, porque quando estou instalada elas são um transtorno: roupas estão ficando amassadas, é difícil encontrar qualquer coisa, e eu fico repetindo de roupa sem cansar. (porque dá mais preguiça procurar roupa na mala)
Segundo, porque quando estou em trânsito elas são um transtorno.
E assim foi minha aventura ontem: nos atrasamos para sair da casa dos Moltke, e o Steen ia me levar até uma estação que tem um trem direto para o aeroporto. Chegamos atrasados e foi cena de cinema, o trem saindo, e o Steen correndo e jogando minhas malas para eu pegar dentro do trem. Cool, conseguimos com sucesso. A chegada no aeroporto de Copenhague foi outra aventura: sem carrinhos para malas (eles estavam em falta, dada o caos aeroportuário) lá fui eu com coisas frágeis na mala de mão, mala secundária pesada, e mala-caixa mais pesada ainda. Suando. Enfim embarquei e deu tudo certo.
Heathrow: de carrinho até a porta do metrô, estava tudo certo. Perturbação mesmo foi deixar o carrinho, andar até o trem do metrô, pegar o metrô, ser xingada pelas pessoas do metrô que minhas malas ocupavam muito espaço, descer em Kings Cross, encontrar o Phitz. Ufa, encontramos-nos.
E agora? Agora a gente se perde entre o metrô e a minha residência. Nós dois, todas as malas, ele super gentil levando a maioria das malas, e nós indo para cima e para baixo no norte do centro de Londres. Perdidinhos mesmo. E ele: Marix, desculpa desculpa desculpa. E eu: Jajajaja, estou achando engraçado - e estava mesmo! E ele: ainda bem que é você e que esse meu erro não vai fazer você parar de gostar de mim. Eu, na verdade, estava mais é achando engraçada essa chegada em Londres... Eu, e as malas.
Sempre que eu me lembro delas, me dá vontade de pular esse período Londres e Amsterdam, e ir logo me espalhar nos meus armários naquele simpático quarto em Jonction com vista pros Alpes. Quando eu não me lembro delas, prefiro ficar em Londres, nesse delicioso descontrole natalino, de volta à cidade que tanto amo há dez anos.

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Love Actually, Simplesmente Amor
Consumidora voraz que sou de comédias românticas, não poderia estar melhor em Londres: me sentindo no cenário de Love Actually, um dos filmes da minha DVDteca que sofreu sumiço infelizmente.
Não sei qual, mas ALGUMA magia vai acontecer nesse Natal. Magias têm acontecido na minha vida ultimamente.
É disso que o filme se trata: das magias mágicas e natalinas acontecendo, por mais que algumas delas sejam amargas.
E a cena final do filme, no aeroporto, tocando God Only Knows (Beach Boys), falando do amor das pessoas e da importância do encontro, e que é isso que conta e que é importante no final das contas, fica na minha cabeça sem parar.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Últimas notícias

Um dos meus artigos foi, sim, publicado no boletim do Akatu.

Vejam aqui:

E mais: Picasa fresquinho e atualizadíssimo, com as últimas fotos de Kobenhavn.

Copenhague, até o verão

Esse título é porque eu decidi que preciso voltar para cá no verão. Deve ser uma cidade completamente diferente e, ao mesmo tempo, simplesmente maravilhosa.
Enquanto o verão não chega (e eu não estarei aqui ano que vem no verão europeu, muito provavelmente), eu me satisfaço com o inverno.
A cidade parece de conto de fadas. É uma coisa de louco. Linda mesmo.
E os dinamarqueses são fofos e são queridos, queridíssimos.

Não estou mais a fim de falar da Conferência, então eu como pessoa física no formato turista amei a cidade e os dinamarqueses.
E tive MUITA sorte, realmente, de vir parar na casa dos Moltke. Eles são fofíssimos comigo, a gente foi super com a cara um do outro.

Então, algumas últimas histórias.

- Eu brinco que Copenhague tem um "Lado B" que, na verdade, é o lado A da cidade. E ele consiste basicamente por: bebês e bicicletas. Gente, essas são as duas coisas que mais existe por aqui. Juro mesmo. Os dinamarqueses estão verdadeiramente ocupados em popular o mundo e em não poluir na sua locomoção. Dá até gosto de ver.

- Ontem quando eu me despedi do Helio eu engasguei e soltei umas lagriminhas. Mega mico fazer isso na frente do chefe, mas aí ele foi super fofo comigo e fez um carinho na bochecha e disse que tinha adorado estar aqui comigo. Foi na Estação Central de Copenhague, no meio daquele caos de gente indo e vindo. Daí conforme a gente se afastava eu não olhei para trás, para poder chorar em paz sem estar pagando mico. Eu também adorei estar aqui com ele. Quando a gente admira o chefe o mundo fica outra coisa, né?

- Eu sempre fico emotiva em época de Natal. Já é tradicional mesmo. Mas em época de Natal sozinha, vivendo meu primeiríssimo White Christmas, tendo acabado de fazer parte de um momento super importante do século XXI e prestes a realizar um sonho em Genebra, com um pouco e crescentes saudades de casa, aperto no coração de estar longe deles no Natal, e pensando demais na minha avó nesses últimos tempos, eu tenho estado praticamente uma Fontana di Trevi de tanta água que jorra.

- Hoje quando eu me despedi da Tine eu também soltei umas lagriminhas. Mas pelo menos ela, eu sei que passaremos o reveillon juntas em Amsterdam.

- Daí eu cheguei em casa e falei com meus pais no Skype. E jorrei, a la Fontana di Trevi. Os Moltke, fofos, viram tudo e para me dar uma força fizeram um "Natal nosso". Ficamos ouvindo músicas natalinas brasileiras no YouTube e decorando a casa deles com objetos de Natal, comendo chocolate, tomando café, e licor, e vendo a lareira queimar. "Viu? Assim você não se sente sozinha no seu Natal".

- Eu sei que não me sentirei sozinha no meu Natal. Chega logo, Londres, que eu quero encontrar o Phitz e a Ju.

- Essa coisa de ter uma vida de rua muito viva, pessoas realmente usando o transporte público e passando bastante tempo fazendo as coisas a pé, é realmente algo que eu penso para mim. A única coisa é que Sâo Paulo ainda não cabe muito com isso. Então vou aproveitar enquanto estou aqui.

- Mas, brasileiro é assim, ontem quando eu peguei o trem das duas e meia da manhã e andei aqui pela floresta sozinha, da estação de trem até em casa, deu um medão. Não deveria ter dado medão. Isso é Dinamarca. Mas deu, sabia? Em uma forte herança brasileira, de termos medo das sombras no meio do caminho.

- Hoje conheci Cristiania, a sociedade alternativa de Copenhague. Parece mundo paralelo, nunca vi coisa igual. E não pode tirar muitas fotos lá, não. Mas tem uma placa que fala, na saída no bairro, que "Agora você está voltando a fazer parte da União Européia". Jajajajaja, muito bom. Ponto negativo: lá em Cristiania, eles não tiram neve do meio do caminho. Ou seja, parecia que estávamos andando em uma pista de patinação no gelo, só que sem o gelo estar lisinho. Uma aventura que só.

- Acho que já estou me acostumando com o frio. Já não acho menos sete tão mais frio que zero ou que um, e nem um tão mais frio que cinco ou seis. Bom sinal.

- Daí eu entrei no cinema, porque estava sozinha na cidade, todo mundo fazendo compras de Natal com suas famílias, e só eu vagando flaneur. Assisti a um filminho fofo e bacana, água com açucar do jeito que eu precisava, chamando 500 days of Summer. Procurem quando ele entrar em cartaz no Brasil (se é que já não entrou). E o legal é ver filme em inglês com legenda em dinamarquês. Acho que deu para aprender algumas coisas dessa língua misteriosa.

- Por mais que esteja ficando "neve velha", neve é sempre legal. Pelo menos até eu cansar.

E agora, depois de dez anos, Londres aí eu volto.
Escrevo para vocês da terra da Rainha então.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A primeira COP a gente nunca esquece

Esse texto deveria ter sido publicado no boletim do Instituto Akatu, mas não foi. De forma que coloco aqui para vocês meu artigo sobre minha primeira COP.
Beijo no coração,
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“Como você sabe que eu sou louca?”, Alice disse.

“Você deve ser”, disse o Gato, “ou você não teria vindo até aqui.”

(Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas)

Tudo começou com uma causa e um sonho. As duas coisas juntas, talvez, porque quem tem uma causa tem o sonho de ver essa causa se concretizando. Mas começou com um sonho antes: a possibilidade de fazer um estágio na ONU, em Genebra. E trabalhar na ONU era meu “sonho original”, que me levou a estudar Relações Internacionais na faculdade. E aí veio a constatação óbvia: uma vez que irei para Genebra, e que o Akatu é organização observadora da COP-15, por que não?

Nessa hora, sim, a causa e o sonho se juntaram. E como um susto, no rápido (e louco) intervalo de três semanas, embarquei para Copenhague. Sonhos e esperanças embarcaram comigo, e as pessoas próximas desejavam que eu fizesse um ótimo trabalho por aqui, exatamente por elas se sentirem representadas por mim nesse momento histórico de início de século XXI.

Copenhague sorri para os que vieram. Já se percebe isso no aeroporto – e sorri de um tanto que a pessoa no balcão de informações do aeroporto me ajudou a colocar meu chip dinamarquês no meu celular, e o taxista ficou me ensinando qual a melhor pronúncia para a rua onde eu estou hospedada apenas em caso eu me perca. Outra coisa: decidi ficar em uma casa de família dinamarquesa, e logo na minha primeira noite dinamarquesa já conheci os amigos deles e tive um jantar especial. Ótimo. Ser bem-recebida é o primeiro passo para confirmar minhas expectativas de duas semanas espetaculares pela frente.

Segunda feira, dia 07 de dezembro, o caos reinava no Bella Center. Fiquei quatro horas na fila apenas para obter a credencial de ONG e ter acesso às dependências da Conferência. Quatro horas ao ar livre, apenas lembrando que a temperatura estava em torno dos 7 graus com garoa, não é nada confortável. Mas a fila, gigantesca, estava preenchida por pessoas com esperança de começarmos, naquele dia 7, um novo futuro para a humanidade.

Dentro do Bella Center tudo é um pouco indescritível e tudo é em excesso – nada a ver com a mudança de estilo de vida que devemos adotar, sem excessos. Portanto lá dentro havia excesso de pessoas, excesso de computadores, excesso de restaurantes, excesso de copos plásticos, excesso de barulho, distâncias excessivas entre um espaço e outro. O Bella Center foi, paradoxalmente, o lugar dos excessos de Copenhague.

Demorei, sem brincadeira, uns três dias para entender o que acontecia lá dentro. Qual a agenda dos eventos paralelos, qual a agenda de negociações, onde cada uma dessas coisas acontecem, onde encontrar as pessoas certas, onde comer uma comidinha rápida, boa, e não excessivamente cara.

Em compensação, definitivamente o Bella Center foi um lugar de encontros. Encontrei muitas pessoas no meio das andanças por todos aqueles corredores. Desde amigos de longa data negociadores, até amigos de longa data que acompanhavam as negociações, incluindo pessoas que conheci aqui e que logo viraram amigos de longa data, e todos os figurões que por lá circulavam - figurinhas fáceis de serem encontradas no Bella Center, mas não no Brasil. Para dizer algumas dessas pessoas, Gilberto Gil (em quem eu dei um abraço), José Serra, Carlos Minc, Dilma Roussef, Marina Silva. Todos ali, por motivos e com interesses diferentes, mas falando de uma mesma causa.

E também o Bella Center foi o lugar de acontecimentos: no corredor ou nas salas de negociações ou nos auditórios de eventos paralelos, o debate rolava solto. Debate altamente qualificado, com pessoas altamente qualificadas. Por mais que interesses diferentes limitassem muito o alcance das reuniões, principalmente nas salas de reunião, de qualquer forma ali no Bella Center alguma coisa grande está acontecendo: nossos diplomatas e líderes de Estado estão conversando sobre qual planeta Terra deixaremos para as próximas gerações. E, além disso, os olhos do mundo estão voltados para cá.

Aliás, os olhos do mundo estão voltados para Copenhague – essa cidade que sorri e que é bela, fria, cinza e, desde ontem, nevada. E por todo o canto pensa-se e respira-se “mudanças climáticas”. Na Praça Central da cidade, o movimento Hopenhagen montou seu quartel-general, com um palco para ótimos shows (terça feira o Gogol Bordello juntou um monte de gente mesmo debaixo de chuva). Não muito longe dali, no KlimaForum, a sociedade civil se reúne em 15 dias de intensos e acalorados debates. A Survival Academy, com oficinas de alta qualidade, também oferece discussões mais profundas sob o tema “E se eu fosse a solução?”. Em Cristiania, o bairro alternativo da cidade, também há um outro evento, Climate Bottom. Além disso, andando pela rua em todo o canto tem algum cartaz, alguma exposição de fotos, alguma exposição de esculturas, e todas as publicidades que invadiram a cidade passam uma mensagem sustentável. Isso sem falar nas inúmeras manifestações que vêm acontecendo por aqui...

Ou seja, em dezembro de 2009 Copenhague foi A Cidade para se estar. E eu estive aqui. Vivendo cada uma de todas as coisas acontecendo intensamente. Para além da desorganização que limitou o acesso de ONGs ao Bella Center, Copenhague está inteira viva e em sintonia com as negociações. Sabemos que chegou o prazo final e que nem um milagre salvará a Conferência desse fracasso absurdo de não termos acordo. Mesmo assim, parece que as pessoas estão mobilizadas para mudanças. Essa é a sensação de quem vive o que está se vivendo aqui. Então no final das contas, o que prevalece após quase duas semanas de Dinamarca é esperança na humanidade – talvez não nos líderes globais, mas na humanidade como um todo, nas pessoas, essa esperança sim prevalece.

E é lindo, eu só posso dizer isso. É lindo realizar um sonho, é lindo participar desse momento da nossa história, é lindo ver a neve cair, é lindo receber mensagens do Brasil, de pessoas que se sentiram representadas por mim. É tudo renovar a fé nas pessoas e no poder que vem do coletivo. Por isso que acabo esse relato com uma frase curta e certa, que ouvi semana passada do Mario Mantovani (SOS Mata Atlântica): “A primeira COP a gente nunca esquece”. De fato, eu nunca esquecerei.

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ps.: apenas acrescentando. Agora é sexta feira, dia 18/dez, 17.40. Estou sentada em um café do lado do Tivoli com a Tine e estávamos conversando sobre esses últimos quinze dias. Arrepia cada vez que sabemos que, independentemente de um acordo, o mundo mudou agora. Só de ter todos os olhos voltados para Copenhague, as pessoas já mudaram. Pela primeira vez, a humanidade parou para pensar no legado que deixaremos para as futuras gerações. Então, com certeza amanhã o mundo não será mais o mesmo. Quem está em Copenhague sabe, e quem acompanha de longe o que acontece aqui deveria saber: esse é um momento histórico.

Com calafrios na alma e calor no coração, acabo por aqui esse post.

Atualizações

Queridos,
as fotos estão atualizadas, os vídeos estão atualizados, e eu ainda posto aqui alguma coisa legal ainda hoje.
Muitos beijos,

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Extra! Extra! Extra!

Neve em Copenhague!
Aqui:
http://picasaweb.google.com/mariana.chammas/Kobenhavn#
As fotos.

E aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=vwLHXEQU83Q
Um videozinho.

Hoje à noite fiz mais dois vídeos aqui andando na vizinhança (vocês verão pelas fotos), mas está muito lento fazer upload no YouTube, portanto fica para amanhã.

Beijos,

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ficando chique no úrtimo

Ó só euzinha postando no Planeta Sustentável da Ed. Abril...
Chique no úrtimo, galerinha.
Uhul.
http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/comitiva-do-planeta/visao-ongueira-213091_post.shtml

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Novidade tecnoógica - vejam meus vídeos!

Agora tenho uma página no YouTube, galerinha de leitores assíduos.
Vocês assistem aqui:
http://www.youtube.com/MsMariChammas

Mais uma coisa

Copenhague parece de brinquedo, sabia?
Ê cidadezinha bonita...

E outra coisa:
a Pequena Sereia é realmente tão pequena que passa desapercebida. Como disse algum brasileiro muito sábio que eu prefiro não identificar para manter sua privacidade:
ê titiquinha de Pequena Sereia mesmo...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Copenhague, uma semana

Hoje faz exatamente uma semana que estou aqui.

Apaixonei-me pela cidade.

Adoro os dinamarqueses - povo simpático, alegre, sorridente, bonito, saudável, ciclista - eles são tudo isso e tão legais que até irrita um pouco. Cadê a amargura e a rabugentisse, meu povo?

Hoje lá pelas dez da manhã bateu um solão. Fazia tempo que eu não via o sol, então fiquei um pouco acordada e um pouco dormindo, para admirar o sol. A gente, quando tem em excesso, não sabe a falta que as coisas fazem. Senti MUITA falta do sol essa semana. Mas tudo bem, em meia hora nublou e tudo voltou à sua normalidade dinamarquesa.

Estamos ensaiando nevasca desde sexta. As ruas e o aeroporto já têm sal. As pessoas já sabem e já estão preparadas. Mas, nada de neve cair. E eu quero muito que ela caia, e tenho certeza que vou chorar de emoção quando isso acontecer. Mas, aparentemente, já não se fazem outonos dinamarqueses como antigamente... (por isso que eu estou aqui na Conferência do Clima, dãr)

Adoro também que aqui a gente compra aquela balinha Haribo, de ursinho em forma de geleinha, em máquinas que estão espalhadas por todos os cantos. Mas fiquem calmos, eu só gosto da sensação disso, de ter um Haribo fácil. Não significa que eu estou comendo Haribo loucamente. Eu não estou.

Mais uma coisa que eu gosto: ter amigos aqui, e ficar encontrando com eles assim, um pouco que combinado, um pouco que do nada. Ontem o Diego e o Josino chegando na balada às três e meia da manhã (horário que eu originalmente sairia da balada) e pedindo preu ficar um pouco mais foi o máximo de êxtase que a minha realidade bêbada àquela altura poderia suportar. E, óbvio, eu fiquei um pouco mais.

Conversas: ando tendo algumas muito boas.
Me emociona a conversa com o Diego no nosso super jantar de 60 euros, sobre as emoções que ele está sentindo na paternidade de um serzinho que ainda tem cinco centímetros.
E também a conversa sobre povos, obstinação, história, misturas, que tive hoje com o Helio enquanto congelávamos nossos dedos no barquinho que fazia city tour.
E a conversa com a Manô, em quem eu descobri (ou confirmei a suspeita) uma pessoa linda e muito bacana, que foi minha companheira de andarilhadisses na sexta à noite gelada.
E também com a Tine, na igreja, na sexta que foi Cathedrals night, ouvindo um coro e sentindo aquele calor no coração de uma serenidade louca.

Enlouquecimento: estou conseguindo me afastar dele.
Até semana passada, eu estava em um lugar e pensando o que eu poderia perder se não estivesse lá. Porque aqui, e em toda a vida, é assim: você perde o que você não ganha. E a gente escolhe o que perder e o que ganhar.
Mas agora decidi que onde eu estiver será sempre o lugar certo para se estar. E ponto. Se não, acaba que eu não estou em nenhum lugar, pela vontade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. É quase um caminho budista a ser percorrido, de muito desapego e muito foco, mas só assim para sobreviver nesse lugar esquizofrênico de importantes acontecimentos agora tudo ao mesmo tempo.

Essa semana promete ser mais corrida e, definitivamente, mais tranquila - porque saberei que estarei onde eu estiver, e só lá, naquele instante.

E as saudades começam a apertar.

By the way, mais fotinhos aqui:
http://picasaweb.google.com.br/mariana.chammas/Kobenhavn#
E hoje estou muito orgulhosa de mim mesma, publiquei meu primeiríssimo videozinho no YouTube aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=ecYu8O08PZY

Tenho mais doze vídeos para postar amanhã, e mais histórias acumuladas para contar - também amanhã.

Boa semana e keep in touch!

ps.: adorei que meus leitores se manisfetaram! Continuem assim. Interação é o segredo do carinho à distância.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Alívio

Ufa!
Estou me sentindo mais brasileira - lavei meu cabelo, e estou deliciosamente limpinha e cheirosa.

**
Ufa!
Estou me sentindo mais dinamarquesa - hoje quando saí de casa não senti tanto frio.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dias brilhantes nessa Copenhague tão escura

A cidade é realmente escura.
Quando eu acordo, a sensação que eu tenho é de final de tarde. Mesmo. O céu, aparentemente, já está assim - misticamente cinza, tentando ficar azul, mas nunca conseguindo.
Isso me causa alguns efeitos:
- preguiiiiça de levantar.
- cara de cansaço o dia inteiro o tempo todo.
- atraso. Nada que estrague nada, mas que eu atraso, atraso. Sempre que eu chego na estação para o trem das 9.16, vejo ele quando estou na rua e o trem passando na ponte: ok, eu acabei de perder o trem das 9.16. Agora, é tomar vento frio na cara esperando o das 9.26.
Mas enfim, mesmo que o horário de sol e a falta de sol não ajudem nada, a vida por aqui continua bastante agitadinha - nunca deixou de ser.

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Ontem fui ao Bella Center de manhã, fazer nada, porque a reunião para a qual eu tinha ido tinha sido cancelada - e olha que aquilo lá é tipo na pqp para padrões dinamarqueses. Os caras realmente conseguiram um isolamento estratégico para um evento da ONU - how bizarre, vamos combinar.
Daí eu fui ao KlimaForum, fórum paralelo organizado por ONGs. Não está legal. Mantém o estigma do terceiro setor amador, militante no vazio, de pafletagens. Por favor, me invente um novo jeito de militar sem bravatas vazias fragatas de navio. Eu topo, juro que eu topo. Mas estou ficando velha para pessoas que esbravejam, se esgoelam, e só repetem suas frases mudando a ordem das palavras e nunca se inovando e se aprofundando. Quando eu disse isso, ontem, naquele mesmo KlimaForum, para a menina de 18 anos do MST/Via Campesina que está SOFRENDO LOUCAMENTE NESSE FRIO, faltou ela pular no meu pescoço, como se eu tivesse xingado a mãe dela de alguma coisa muito baixa.
E depois, fui à inauguração da Survival Academy, encontrei algumas pessoas legais, outras nem tanto (a Raquel que o diga), vi - lá sim - um novo mundo se nascendo com as iniciativas que os caras fazem que é bonito de ver. Vou ser capacitada, por eles, para fazer o esquema de sistematização de reuniões a la Bigger Picture (entrem no ning do Survival Academy ou no biggerpicture.dk para entender o que é isso). E vou participar de uma oficina / teleconferência ao vivo com Otto Scharmer, da Teoria do U - otro dia explico com calma o que é isso, mas que é muito legal, isso é. (minha mãe pode tirar dúvidas sobre isso também, by the way)
E terminei meu dia jantando com colombianos e alemãs em um restô-bar-balada-underground dinamarquês com um nome alemão que significa Perigo, onde ouvi a música do Rei Leão que eu canto com o Edudu mixada na sua versão funk carioca. Esse fechamento do dia foi minimamente surreal.

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Está chegando a hora de eu encarar que preciso lavar meu cabelo - mas é muito ruim aqui lavar o cabelo, porque é muito frio, ou seja, lavar o cabelo não é algo para ser feito na hora que você bem entender. Tem toda uma programação psicológica e de tempo envolvidas - e eu não estou pronta para isso. Mas amanhã é dia disso na certa, porque está ficando quase indecente sair na rua com esse cabelo assim. (é tipo cross cultural training brincando de ser uma mulher dinamarquesa que anda pelas ruas com o cabelo ensebado) Haja fôlego, acordar mais cedo, lavar o cabeço nesse chuveiro de duas gotas, secar com o secador, e sair nesse frio. (mãe, à noite é mais difícil ainda, viu? Não é como a gente tinha imaginado que seria)

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Na rua só se fala da neve que está vindo pro final de semana. São os ventos do leste. (quando são os ventos do oeste, é "warm" 8 graus e com chuviscos)
Me disseram que isso aqui ainda não é inverno dinamarquês.
E eu estou começando a ficar com medo do que pode ser o inverno dinamarquês. Mas ao mesmo tempo, deve ser lindo.

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Hoje descobri porque que eu vejo TANTOS carrinhos de bebê no meio da rua!! Aqui eles são estimulados pelo governo a terem filhos. E recebem o equivalente a mil e duzentos reais a cada três meses por filho, até que o filho faça 18 anos. Louco, né?
Quem disse isso foi uma mãe brasileira que teve um filho dinamarquês com um dinamarquês. Estávamos entrando no metrô comentando exatamente do excesso de carrinhos de bebês pela cidade quando ela nos ouviu falando português e puxou papo. Ela faz doutorado e acabou de tirar UM ANO DE LICENSA MATERNIDADE (quão incrível pode ser isso?? Quero ter filhos aqui!!!)
Fora isso, o que estimulou essa minha nóia de bebês e carrinhos de bebês foi no meu primeiro dia, quando vi um carrinho de bebê no meio da rua com aquele frio. E aí fiquei reparando que lá dentro parece quentinho. E pensei: que carrinho de bebê mega jedi!!
Sabe o que??
Ela me contou que eles são forrados de pluma de ganso, e que o bebê fica super quentinho...

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Meu encantador dia de hoje passa pelo Bella Center somente, mas foi realmente muito bom:
- passeio de barco pelas wind power farms
- almoço inusitado com o presidente do SOS Mata Atlântica, o diretor da CPFL, e um dos publishers da ed. Abril
- encontro com pessoas interessantes e legais, o tempo todo
- bagunça brasileira na sala da delegação brasileira - aquilo lá é só fuzuê, um fuzuê danado! Fica a sensação que, sem crise, a brasileirada resolveu invadir Kobenhavn e gastar uns dólares. Na hora da boca livre então, sempre no final da tarde, aquilo lá fica mucho loco.
- abraço no Gilberto Gil no corredor do Bella Center. Sim, eu fiz isso!! (vocês ainda querem gostar de mim e ser meus amigos?) Puxei ele no corredor, no meio do fuzuê, e disse: "Gil, estou muito feliz que você está aqui e eu também estou. Me dá um abraço??" E ele?? Sorriu e me deu um abraço. E disse que era muito bom estar aqui. E eu estou feliz pelos meus próximos sei lá quantos dias. Estou mesmo.

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Coloquei mais fotos lá. São minhas fotos de ontem, de hoje no barco, e do meu quarto aqui nos Moltke.
E mais: estou começando a aprender dinamarquês. Isso signfica que meu mico ao tentar pronunciar o nome de alguma estação de metrô ou trem diminuiu consideravelmente (eu sempre fico prestando atenção na mocinha do microfone que anuncia a próxima estação e, na verdade, sempre que ela fala alguma frase mais extensa eu quase entro em desespero, tipo "e se ela estiver avisando que tem uma bomba na parte de trás do trem, mas que todo mundo deve seguir sua vida normal e ser suicida voluntariamente????"

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De novo está tarde e eu vou dormir tarde.
Se vocês estiverem mesmo lendo, seria ótimo saber disso de vocês, de verdade. Todo mundo que escreve, por mais que seja apenas em um blog virtual, quer ser lido.

Mais fotos!!!!!!!!!

http://picasaweb.google.com.br/mariana.chammas/Kobenhavn#

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Contatos imediatos de primeiro grau

Para quem quiser comprar créditos Skype e me ouvir atendendo ao telefone em dinamarquês,
+ 45 2175 6507.

Da segunda

São meia noite e meia e eu estou aqui, na sala da casa dos Moltke, caindo de sono.
É assim que funciona: o Bella Center é o caos, e além disso é absolutamente gigantesco.
Tudo acontece ao mesmo tempo agora, e isso torna a coisa toda um pouco esquizofrênica.

Isso porque meu chefe ainda não chegou - fica aquela sensação que depois que ele chegar minha vida por aqui nunca mais será a mesma... Mas hoje tive uma nova certeza: é bem provável que eu esteja de ressaca domingo. Está rolando no corredor a informação de que a festa de sábado se chama NGOs Party e é algo de fazer o queixo cair. Aguardemos.

A Ella e sua filha (cujo nome eu não entendi) estão na cozinha falando dinamarquês, uma língua da qual EU NÃO ENTENDO LHUFAS.

Isso me fez me perder hoje nos dois únicos trajetos que fiz: o de ida ao Bella Center, e o de volta do Bella Center para casa. Esse alfabeto daqui torna as coisas NADA simples.

Outros destaques do dia:
. a fila de três horas e meia passando frio (para não dizer congelando) para pegar a credencial de ONG na Conferência.
. a farofa climática bombando no Bella Center - tem MUITA gente conhecida e é ótimo trabalhar, mesmo que loucamente trabalhando, com pessoas de lugares diferentes com objetivos diferentes.
. a notícia de que vai nevar no final de semana - YEY. As pessoas falavam disso na rua e hoje meu pai disse que entrou no Weather Channel e isso se confirmou.
. os dinamarqueses - como um todo, eles estão absolutamente radiantes por serem hosts da COP-15, e isso faz deles pessoas absolutamentes encantadoras quando eu me perdi no metrô (porque afinal, eu não conheci o centro de Copenhague ainda, mas já estou especialista em me perder no metrô).
. o jantar - de novo, comida tipicamente dinamarquesa. Uma carne doce (resolvi não perguntar o que é isso), e uma verdura agri-doce, estranha, com um textura estranha, mas eles tinham uma mega expectativa de que eu gostasse daquilo, então eu resolvi gostar.
. o café da manhã - comi um queijo norueguês que é marrom, parece doce de leite, mas na verdade é um queijo feito de queijo de cabra misturado com queijo da mãe do veado (o femino de veado é veada? Hoje na conferência um amigo me disse: "Mari, o feminino de veado é lésbica!").
. e, para fechar com chave de ouro, o bafafá que os países árabes causaram na Conferência ao pedir mecanismos de compensação para a economia baseada em petróleo, já que com a nova economia eles vão ficar no preju. Vê se eu posso com isso...

Amanhã tem mais, mas agora eu preciso dormir se não amanhã não acordo para a reunião das 10.20.

ps.: Fotos? Aqui: http://picasaweb.google.com/mariana.chammas/Kobenhavn#

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fotos da segunda feira!

http://picasaweb.google.com/mariana.chammas/Kobenhavn#

Chegando

(post escrito ontem, domingo, à noite, antes de dormir)

Ora, e o que é chegar se não sair de um algum lugar, deixando-o para trás por mais que muito presente, e chegar em outro novo e de peitos abertos?
Pois bem. É assim que eu chego: saindo de um lugar, de forma talvez um pouco dolorida das saudades antecipadas que eu talvez não sinta tão grande assim, e chegando – não sei se em Copenhague (Kobenhavn), não sei se em uma trilha muito nova e muito forte, e também não sei se essas duas alternativas se eliminam ou se complementam – eu acho que elas se complementam.
O importante é que chegou a hora e então, eu cheguei. Depois de um longo tempo de espera e preparação, cheguei.

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Como eu chego?
Eu chego feliz, ansiosa, com aquele sorriso de canto de boca de quem está realizando um sonho e que não precisa ficar espalhando isso aos quatro ventos – curtir essa certeza sozinha e dividir com as pessoas que me importam de verdade me é suficiente.
Chego com um “altarzinho protetor”, cheio dos meus terços e patuás e anjos e proteção, porque fé nunca é demais e ultimamente só o que eu faço é andar com fé.
Chego com dois cadernos de anotação – o de anotações dos sonhos da Alice in Wonderland, que ganhei de uma das pessoas que é a minha inspiração, e o da Turquia, que ganhei de uma das pessoas que eu mais aprecio nesse mundo, e que me escreveu diversos bilhetinhos escondidos e espalhados nas páginas em branco do caderno.
Chego cheia de casacos e luvas, e morrendo de medo de todo esse frio.
Chego sozinha de tudo e ao mesmo tempo, muito acompanhada por muita gente – principalmente as pessoas que viram de perto meu processo (solitário) e que por isso mesmo se fazem tão relevantes na minha jornada.
Chego ansiosa e ao mesmo tempo, sem expectativas: meus planos de vida atingem abril e olhe lá, porque depois daqui eu não sei ao certo o que será de vera. E essa sensação, de estar preparada para o novo, é fantástica.
E chego também cheia, completa, radiante, porque mais uma vez de uns tempos para cá apreciei e entendi a importância de ter boas e sinceras parcerias, em quem se pode confiar. E isso – a capacidade e abertura de ter boas parcerias – me preenche, me encanta, e me surpreende de tal forma que faz uma lágrima feliz escorrer.

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E a jornada?
Foi boa, ótima, na verdade.
O vôo da KLM é excelente.
Não vim nada quieta, na verdade, dentro dessa capacidade intrínseca que eu tenho de puxar papo e ser-puxada de papo. (Diga-se de passagem, capacidade essa que puxei da minha mãe, que por sua vez puxou da minha avó – às vezes quando eu acompanhava minha avó no supermercado em 5 minutos de fila para pesar a carne ela já tinha nas mãos o telefone de uma nova amiga e uma receita su-per-de-li-cio-sa de rocambole salgado.)
Então eu conheci o Marcino no Aeroporto de Cumbica, advogado ambientalista de Porto Alegre e professor da UFRS que estava vindo para cá no mesmo vôo que eu sentido Amsterdam;
Conheci o Pedro e o José, meus companheiros na nossa fileira de três no avião.
O Pedro é pequenino de Barbacena, tem 19 anos, faz RI na PUC-Minas, e esbugalhou os olhos quando ficou sabendo que eu estava vindo para Copenhague e depois Genebra. Mais ou menos quando eu conhecia algum veterano mega impressionante fazendo alguma coisa mega inovadora na faculdade, esses eram os olhos do Pedro me olhando. E então, ele me tratou quase que como rainha durante as doze horas de vôo e depois na primeira uma hora desembarcados em Amsterdam.
Já o José não, ele foi super simpático do mesmo jeito, mas no esquemão-europeu-cada-um-na-sua de ser. Ele é francês, filho de portugueses, que mora em Bruxelas, namora uma brasileira, e tinha vindo para São Paulo para conhecer os pais da namorada. Gentileza em pessoa, super fino, educado, mas com um português bizarro em uma mistura de sotaque francês em cima do português de Portugal.
O mais legal é ver o brilho nos olhos dos dois falando: “Nossa, você então estará em Copenhague?” Pois é. Vim para viver, ver, e fazer parte desse momento em que todos os olhos do mundo olham para cá. Mas o brilho nos olhos dos dois me ajudou a ter mais esperanças na Conferência (eu estava ficando um pouco cética nesses últimos tempos). Pelo menos a sensação que eu tenho quando falo com as pessoas é que a população em si oferece sim abertura para mudanças a favor de um mundo mais sustentável (em todos os sentidos).
Daí desembarquei e dei de cara com o Jaimito, aquele doce de pessoa, com uma plaquinha em verde-e-amarelo “Mari me Chammas!”, pulando – eu, óbvio, soltei uma gargalhada, e então todo mundo viu a cena, exatamente porque ela foi uma cena zero discreta. Beleza. Cheguei causando em Amsterdam, e encontrando um amigo do coração. Jaimito que me apresentou o seu Martin, outro doce de pessoa, e então eles formam um casal legal demais da conta que veio para Schiphol apenas para passear com as duas amigas brasileiras deles – eu e a Carol, que estava no mesmo vôo que eu, mas que eu só conheci depois, com eles. E então comemos croquete (que descobri hoje que é a fast-food típica da Holanda) e comemos uma coisa chamada “Bola de óleo”, à venda apenas em época de São Nicolau (porque na Holanda não tem Papai Noel), que não é oleosa desse jeito todo, e que é uma coisa de louco de deliciosa.
E passeamos pelo aeroporto (UM MUNDO INTEIRO CABE LÁ DENTRO, QUE TAMANHO LOUCO!), e vimos lojas, e deslumbramos. Eu só saí do aeroporto para me sentir no tão esperado outono europeu, frio para dedéu, úmido e dolorido (de “doer os ossos”, como diz a Dhê).
Então eu e a Carol embarcamos de novo, rumo a Copenhague, e fizemos compritchas básicas naquele shopping tax free coisa de louco que é o duty-free de Amsterdam. É enlouquecedor no pior sentido “senta-e-chora”: excesso de informações, de lojas, de promoções, de pessoas, aquilo lá é a visão dos infernos, é o puro descontrole, é o consumismo levado ao extremo. E é, acima de tudo, ABSOLUTAMENTE TENTADOR E DESESPERADOR QUANTO MAIS TENTADOR FOR. Ainda que me controlei e comprei apenas o proposto: uma máquina fotográfica nova (uhul) e um lápis de olho (Lancôme, sempre).
Aí a gente se separou, eu e a Carol, porque tínhamos vôos distintos para CPH, e quando eu fui para o portão do meu vôo, chuta só: conheci mais uma pessoa. Paula, colombiana, fofa, querida, acabou de morar em SP por seis meses, ama a cidade, e coincidência das coincidências, conhece um monte de gente em comum comigo! Daí eu desandei a falar espanhol com a menina e me causei o meu primeiro grande nó lingüístico da temporada (tipo responder em espanhol para a aeromoça da SAS que falou comigo em dinamarquês “no hablo dinamarquês, vos puede hablar inglês por favor?”).

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Kobenhavn
Desde que cheguei em Kobenhavn eu tenho confiado e ponto.
Confiado que as minhas malas (que eu tinha visto em Amsterdam) chegariam em Copenhague, porque elas foram as últimas da esteira a chegar, demorou um tempão mesmo.
Confiado que o cara da 7-Eleven estava me vendendo a coisa certa – porque eu queria um chip de celular e ele me deu um pacote e eu, com aquele alfabeto, NÃO TINHA A MENOR IDÉIA se aquilo é ou não um chip de celular. Mas era.
Confiado que esse alfabeto desnorteador e essa língua estranha não serão tão estranhos assim ao longo da minha estada de duas semanas por aqui.
Confiado que a moça da informação turística poderia me ajudar a colocar o chip dinamarquês – e ela pôde mesmo me ajudar, e foi bárbaro.
Confiado que o taxista estava me levando pro lugar certo, porque ele não falava inglês e eu só mostrei o endereço e fui torcendo o caminho inteiro para estar indo pro lugar certo.
Confiado que a Ella Moltke, minha “host mother”, iria mesmo me encontrar na casa dela – e ela estava em um aniversário, saiu do aniversário, foi me pegar, e depois me levou pro aniversário com ela.
Resumo: sim, na minha primeira noite de Dinamarca fui parar justo em um jantar de aniversário.
E comi carne de veado, que a Geraa (a aniversariante fofa de tudo) cozinhou fantasticamente bem. Eu não tinha entendido que aquilo era carne de veado quando eles me serviram – mas quando estava lá me deliciando, alguém falou “This is Bambi meat you are eating, did you know?” e eu tipo Oh My God, Bambi meat, é VEADO, AAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaa. E continuei me deliciando com aquela carne de sabor acentuado e bem gostosa.
E, óbvio, virei a atração/ET do jantar – tipo “como é tal coisa no Brasil? E sua família, vocês moram perto da floresta?” Eu juro que eu achava que tínhamos superado essa fase, mas a real é que não superamos não.
Fiquei ouvindo eles falarem dinamarquês e tentava entender, em vão, o que só confirmou minha tese inicial: eitcha linguinha esquisita essa.
E o parabéns dele é estranho: as palavras não se repetem de jeito nenhum e eles cantam uns OOOOOOOooooooooooOOOOOOOOOOOOOOoooooooo no meio do caminho. Estranho.
O bom é que estava em um aniversário dinamarquês conhecendo um jeito novo de cantar parabéns e pensando na Cami do meu coração, que fez aniversário justo hoje. Comemorei com ele, mesmo que sozinha, à distância, e em dinamarquês.

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Quartinho
Meu quarto é grande e espaçoso e tem uma varanda (para as poucas horas de luz do dia). Ele fica no subsolo da casa, mais isolado (ponto positivo) e mais frio (ponto negativo, mas aqui tudo tem calefação e eles me deram edredon e cobertor). Pude espalhar minhas malas, pendurar minhas roupas que amassam, me organizar melhor.
Era o quarto da filha do casal, mas hoje em dia é um dos anexos do atelier da Ella, que faz umas cerâmicas modernérrimas e lindas.
O casal está super feliz de me ter aqui, e me trata super bem e ao mesmo tempo, com nada de cerimônia, o que me ajuda a me sentir em casa.
O bairro é gostosérrimo, de casas legais, e todo arborizado. E finalmente (mais um ponto positivo), fica bem perto da estação do trem que eu preciso pegar.
Aliás, já saquei que desgin por aqui é coisa séria. De casa janela de cada apê ou casa que vi do táxi chegando aqui, vi algumas coisas estilosas: um abajur diferente, um quadro, uma parede amarelo-ovo. E luz indireta é um must em absoluto – coisa que eu adoro, também.

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Dormire
Vou-me.
Amanhã o dia será longo, mas eu vou acordar um pouquinho tarde, lá pelas 9 e meia. Preciso mesmo me recompor da viagem e do fuso.
Tenho pessoas queridas a reencontrar em Kobenhavn downtown,
Tenho um cadastramento a fazer no Bella Center.
Tenho uma agenda a montar.
Tenho um jantar aqui com a família Moltke, às 8 ou 8 e meia em casa.
Ufa.

ps.: por enquanto não tenho internet aqui, mas os Moltke vão pedir a senha do wireless do vizinho para eu usar.
Aí minhas noites serão mais divertidas de reencontros virtuais: programem-se – 10 ou 11 ou 11 e meia daqui são 7 ou 8 ou oito e meia daí.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tudo novo de novo

Esse é só o post de inauguração.
Daqui há pouco escrevo aqui algumas linhas decentemente...
Beijo, me liga!