terça-feira, 22 de dezembro de 2009

London, dez depois

Voltei.

Ontem, no aeroporto, entre a imigração e a esteira das bagagens, andando naquele corredor enorme com as esteiras gigantes, eu ria sozinha vendo fotos enormes da cidade mágica na parede.

Dez anos depois, voltei para visitar a Rainha. Que delícia que é estar aqui!! Há exatos dez anos, começavam meus planos de morar fora algum tempo. Agora, cá estou eu. Não para morar aqui, mas pronta para Londres de novo.

Londres é a São Paulo da Europa - gente de todo o mundo vem viver seus sonhos dourados aqui. Todas as línguas são faladas ao mesmo tempo, agora. Tanto isso que tinham cinco chineses causando mega na imigração (tenho a impressão que eles estavam fazendo algum tipo de trambique imigratório, porque eram cinco e barulhentos e falavam no telefone e não pareciam relaxados), e aí acho que o immigration officer viu uma brasileira com cara de simpática chegando de Copenhague e com um visto suíço no passaporte e resolveu não encrencar.

A única pergunta dele foi: what is the purpose of your visit?
E eu: The Christmas Hollidays!, sorrindo.
E ele: And so welcome do London and Merry Christmas to you, Ms Chammas.
Um fofo.
E mais: o que um sorriso sincero não conquista nesse mundo?

Daí encontrei meu amigo do peito, irmão mais velho Phitz em Kings Cross.
De novo, ser bem recebida é sempre um bom começo. Nos perdemos babstante, com todas as minhas malas vagando pela cidade, para chegar até a minha habitação, mas chegamos. Não é o lugar mais legal do mundo para se estar, mas é ok, tranquilo, limpinho, com boa cama, péssimos banheiros, e conexão internética terrível desesperadoramente.

Deixamos as malas aqui, eu fiquei na dúvida entre: A - um quarto gelado e sem cheiro de cigarro; ou B - um quarto quentinho, com cheiro de cigarro. Optei pelo B, achei que meu conforto térmico fosse mais importante nesse inverno. Não sei se foi uma boa opção - essa noite sonhei que estava nadando em um cinzeiro. Pelo menos dormi super bem e não passei frio. Mas para um ex-fumante, foi quase uma tortura...

Hoje quando eu acordei, com o telefonema da Si, quase meio dia, marcando de me encontrar com ela, veio a seguinte pergunta à minha cabeça: O QUE EU QUERO FAZER HOJE??????
Não sei há quanto tempo que eu não me faço essa pergunta. Férias, finalmente. Sem obrigações com ninguém. Só eu, inventando o que fazer, e fazendo o que eu bem entender. Então fui para Covent Garden, onde almocei bem, muito bem, tomei uma taça de vinho, e fiquei flaneur observando aquelas pessoas todas em suas comemorações natalinas, e compras natalinas.

De lá peguei o metrô para encontrar a Si e o Dudu, queridos. Eu queria ver o rio, passear ao lado do rio, une promenade. Dia errado para ter uma vontade dessas, d. Mariana!! Chovia garoa forte... depois, começou a nevar. A essas alturas, já tínhamos desistido da nossa caminhada no Rio e fomos para um centro cultural em South Bank, onde colocamos nossas conversas em dia tranquilamente, vendo a neve cair lá fora. Quando a neve cessou, o parque estaria branco! E foi para lá que fomos: o parque que a Si gosta de ir quando neva. Então, de St James víamos Buckingham e víamos a Londo Eye e a House of Parliament. Um tchauzinho para a Rainha, algumas fotos, e de volta. Encontrar amigos queridos é delicioso. Hoje eu quase me senti em casa, em Londres.

Neve em Londres é linda, mas é chata. A neve derrete, fica molhada, e o chão parece uma pista de patinação de gelo, super escorregadio. Saudades da neve "seca" de Copenhague.

Voltei para casa, passeei um pouco aqui pela região, entrei na Gap e na Marks & Spencers. Londres é deliciosa, assim, natalina. Estou com vontade de comprar o mundo, mesmo. Duas coisas me limitam, apenas: minha conta bancária e minha mala. Já tinha entrado na Monsoon e passado por tentações... agora na Gap, então... e na Marks & Spencers... aiaiaiaiaiai... Eu só queria ter um inverno estiloso, europeiamente estiloso.

Sem mexer muito na minha mala, essa história de ficar com um suéter basiquinho e calça jeans está começando a me enjoar. As mulheres aqui são maravilhosas, sabem se vestir pro inverno, é uma coisa de louco o que elas fazem com essas montagens. Tudo que eu quero é me instalar em Genebra, pendurar meus terninhos e calças de lã (para tirar da cabeça essa voz que fica martelando todo o tempo "suas roupas de lã estão amarrotando naquela mala, Mariana").

Com relação aos meus sonhos de consumo, as únicas coisas que eu comprei hoje foram acetona, esmalte (vermelho), um SIM Card, e bilhete de metrô. Aparentemente está tudo sob controle então. Mas tem uma blusa na Gap de 35 pounds que aimeudeus... o ruim é que 35 pounds é um montante e tanto! Em compensação, a blusa é de cashmir... e eu serei uma das mais bem vestidas no inverno brasileiro com aquela blusa. Let's sleep over it e esperar respostas para esse dilema nos meus sonhos. Até porque, dia 26 de dezembro Londres vem abaixo liquidando. E nesse dia, tudo pode acontecer... (ou não, e aí eu só compro shampoo ao invés de acetona)

Mas enfim, Londres é linda. E é delicioso estar aqui.
O que eu vou fazer amanhã?
Vou decidir quando eu acordar.

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Copenhague: do caos ao caos
Acho que a cidade entrou em colapso com a Conferência. Coitados dos dinamarqueses.
Ontem o aeroporto estava caóticos, vôos atrasados, pessoas desesperadas, gente correndo, funcionários sem dar conta de nada...
Daí, não me pergunte como, dois indianos que estavam na COP estavam no avião. E eles foram presos, em uma cena cinematográfica: polícia entrando no avião e revistando passageiro por passageiro, passaporte por passaporte. A pergunta que fica é: porque os passageiros foram tão longe?? Como eles chegaram até dentro do avião para só então serem presos?? E mais: o que é que eles fizeram para ser presos??
Resumo da ópera: entre atrasos copenhaguinos, londrinos, e cenas hollywoodianas da polícia no avião, meu vôo atrasou quase uma hora e meia. Melhor tardar do que falhar - eu finalmente cheguei.

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Malas, essa aventura que me persegue
Ok, então já estou na minha segunda cidade.
Minhas malas continuam sendo minha aventura.
Primeiro, porque quando estou instalada elas são um transtorno: roupas estão ficando amassadas, é difícil encontrar qualquer coisa, e eu fico repetindo de roupa sem cansar. (porque dá mais preguiça procurar roupa na mala)
Segundo, porque quando estou em trânsito elas são um transtorno.
E assim foi minha aventura ontem: nos atrasamos para sair da casa dos Moltke, e o Steen ia me levar até uma estação que tem um trem direto para o aeroporto. Chegamos atrasados e foi cena de cinema, o trem saindo, e o Steen correndo e jogando minhas malas para eu pegar dentro do trem. Cool, conseguimos com sucesso. A chegada no aeroporto de Copenhague foi outra aventura: sem carrinhos para malas (eles estavam em falta, dada o caos aeroportuário) lá fui eu com coisas frágeis na mala de mão, mala secundária pesada, e mala-caixa mais pesada ainda. Suando. Enfim embarquei e deu tudo certo.
Heathrow: de carrinho até a porta do metrô, estava tudo certo. Perturbação mesmo foi deixar o carrinho, andar até o trem do metrô, pegar o metrô, ser xingada pelas pessoas do metrô que minhas malas ocupavam muito espaço, descer em Kings Cross, encontrar o Phitz. Ufa, encontramos-nos.
E agora? Agora a gente se perde entre o metrô e a minha residência. Nós dois, todas as malas, ele super gentil levando a maioria das malas, e nós indo para cima e para baixo no norte do centro de Londres. Perdidinhos mesmo. E ele: Marix, desculpa desculpa desculpa. E eu: Jajajaja, estou achando engraçado - e estava mesmo! E ele: ainda bem que é você e que esse meu erro não vai fazer você parar de gostar de mim. Eu, na verdade, estava mais é achando engraçada essa chegada em Londres... Eu, e as malas.
Sempre que eu me lembro delas, me dá vontade de pular esse período Londres e Amsterdam, e ir logo me espalhar nos meus armários naquele simpático quarto em Jonction com vista pros Alpes. Quando eu não me lembro delas, prefiro ficar em Londres, nesse delicioso descontrole natalino, de volta à cidade que tanto amo há dez anos.

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Love Actually, Simplesmente Amor
Consumidora voraz que sou de comédias românticas, não poderia estar melhor em Londres: me sentindo no cenário de Love Actually, um dos filmes da minha DVDteca que sofreu sumiço infelizmente.
Não sei qual, mas ALGUMA magia vai acontecer nesse Natal. Magias têm acontecido na minha vida ultimamente.
É disso que o filme se trata: das magias mágicas e natalinas acontecendo, por mais que algumas delas sejam amargas.
E a cena final do filme, no aeroporto, tocando God Only Knows (Beach Boys), falando do amor das pessoas e da importância do encontro, e que é isso que conta e que é importante no final das contas, fica na minha cabeça sem parar.

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