sábado, 26 de dezembro de 2009

Em dia de Natal

Em dia de Natal,
lindo sol frio em Londres, dessa vida brazuca de família longe e amigos perto, uma mistura estranha de aperto no coração e de sensação de conquista. Óbvio que está tudo bem, não tem como dar errado em Londres, mas é doce-amargo Natal ensolarado - mas frio - e gostoso - mas solitário, apenas caminhando pelos parques da vizinhança desse bairro turco onde estou que teve vida normal hoje.

Em dia de Natal,
Picasa Londrino atualizadinho!

Em dia de Natal,
meus pais e a Ghê merecem meus agradecimentos especiais por terem de fato comprado créditos Skype e ligado para me desejar feliz Natal!

Em dia de Natal,
leiam: Zapatero falando do Lula no El País.
Demais!

Em dia de Natal,
uma constatação: só tenho mais amanhã e domingo de dia inteiro em Londres. 2a é dia de pegar vôo, me programar para ir até o aeroporto, essas coisas. E aí, como assim acabou tão rápido??
Ok, ok, eu fiz tudo que eu queria e mais um pouco, ainda tenho dois dias para complementar isso, e estou bem feliz com tudo o que eu visitei, ainda que não visitei com pressa, visitei com calma. Não fiz "check" nos pontos turísticos. Ufa. Mas mesmo assim, fica a pergunta: jáááááááááá???
E aí fica a conclusão: não importa a quantidade de dias, para Londres isso sempre será insuficiente. Acho ótimo, fica o gostinho de quero mais, e fica a certeza de que não demorarei, certamente, mais dez anos para voltar para cá.

Em dia de Natal,
os planos de amanhã:
um pulinho em Notting Hill;
uma atrevidinha passada na Oxford St em plena liquidação descontrolada de Boxing Day, na qual Londres vem abaixo - quem sabe que não me dou um ou outro auto-presente de Natal?;
um pulinho no Winter Wonderland, para andar de carrossel em plena Hyde Park Corner;
e se as pernas permitirem, uma andadinha até a Harrods. Ufa.

Em dia de Natal, minhas palavras de Natal de vocês... já foi lido na ceia de Natal e no almoço de Natal também, e agora, publico o texto aqui.

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Palavras de Natal

Queridos,

Mesmo que à distância, estou aí com vocês no coração.

E exatamente por isso, resolvi escrever essas palavras para que o Edu as leia a vocês.

Ter vindo a Copenhague foi uma das coisas mais importantes que poderia ter acontecido para mim nesses últimos tempos. E é daqui que escrevo essa mensagem de Natal.

Tenho pensado muito na mensagem que eu escreveria para vocês e como poderia estar bem representada por aí, e a minha mensagem começa pela família. Principalmente para quem está longe, sentir o amor à distância é maravilhoso... E a vida é feita disso, de trocas bonitas e sinceras com as pessoas, da forma que vivemos na família. E é engraçado isso, porque exatamente na ausência é que sinto vocês muito presente, como se eu tivesse trazido um pouquinho de cada um de vocês na mala. Isso dá um calorzinho gostoso no coração, e me ajuda a perceber a importância de ter uma família tão especial. E mais: se na ausência se faz presente, é lindo colocar nossas vidas em perspectivas e pensar nelas como a continuidade de uma longa trajetória. Nessa hora, menciono as pessoas especiais que não estão mais entre a gente. É nelas que busco a inspiração, a força, e o exemplo para seguir o meu caminho.

Outra coisa que Copenhague fez comigo: o que eu vivi aqui renovou minha fé na humanidade. Independentemente de um acordo oficial entre os governos, tamanha mobilização popular (os olhos do mundo se voltaram para cá) por um tema que não é financeiro (crise econômica do ano passado) e nada tem a ver com algum conflito (11 de setembro ou a queda do muro de Berlim) nunca tinha antes acontecido. Estávamos aqui discutindo o legado que deixaremos na natureza para as próximas gerações, em palavras simples. E o mundo mudou no momento em que ele parou e pousou seus olhos sobre Copenhague discutindo esse tema tão delicado e essencial, e ao mesmo tempo, tão intangível (ainda). Tanto faz o acordo oficial que sair se cada um de nós fizer nossas próprias mudanças a favor das próximas gerações. É disso que se trata a lição aprendida em Copenhague. E, dada a mobilização que ocorreu, parece que as pessoas estão sim dispostas a fazer suas mudanças. Isso é bonito de ver.

E, por último, Copenhague – e tudo o mais – tem me ensinado que sonhos existem para serem realizados. E que nós estamos preparados para lutar pela realização dos nossos sonhos – basta arregaçar as mangas. Dois mil e nove foi um aninho difícil, mas eu cheguei até o final. Sonho realizado de forma fácil não é a mesma coisa, afinal das contas. O mínimo que eu posso desejar para cada pessoa que me é especial, é que ele realize seus sonhos.

Então,

com essa linda ausência muito presente da família e do calorzinho no coração que isso dá;

com uma fé na humanidade renovada e com a certeza de que saberemos, cada um de nós como indivíduos, fazer o melhor pelo nosso mundo e por nossas futuras gerações;

e com o desejo que cada um de vocês e todos nós sejamos sempre sábios e fortes para correr atrás dos nossos verdadeiros sonhos;

desejo a vocês um Natal iluminado na presença do Menino Jesus, e um 2010 abençoado e muito feliz.

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