terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Carnavália
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Novidades virtuais
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Das coisas que causam emoção
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
"Minha avó já me dizia
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Perdu à Genève
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Desespero de causa
| Oi, Ma. Tudo bem? Acabei de falar com seu gerente. Ele pensava que as autorizações que você tinha para 1 cartão passariam automaticamente para o outro, mas de fato isso não ocorreu. Ele fez novamente o pedido de autorização para saque internacional no VISAPLUS e o sistema deu para ele o prazo de 11/02 para este serviço estar disponível, mas ele garantiu que antes deste prazo será possível usar o serviço. Beijos. EU Pai, Se "aquilo" que ele tinha aprovado pro meu cartão antigo era o Visa Plus, isso NUNCA funcionou. Lembra que tínhamos conversado sobre isso, pai?? E que inclusive você me recomendou que quando chegasse meu cartão novo era para eu testar... lembra dessa nossa conversa?? Ou seja, alguma coisa que nunca funcionou não foi transferida para o meu cartão novo, mas agora ele disse que foi transferida, mas se ela não funcionava nem quando deveria funcionar... Por isso que acho que essa conversa é MUCHO loca. E acho, pelo que estou entendendo, que se depender do Fulano EU NUNCA TEREI O VISA PLUS funcionando corretamente. Juro, deve haver algum erro de comunicação/compreensão muito grave, porque essa história está rolando há muito tempo. Desculpa se escrevi de um jeito meio torto com você. Você sabe que a minha revolta não é com você. Mas esse bosta desse cara me tira do sério com o des-serviço que ele tem feito para mim à distância. Além de fazer mão, pé e depilação, uma das minhas primeiras coisas a fazer quando eu chegar no Brasil será, definitivamente, trocar de gerente. Chega a ser patético o papelão que esse cara está fazendo, você não acha?? Um beijo bem grande e mil vezes obrigada pela ajuda. PAI
|
Vidinha suíça
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
A solidão da lua e outras anotações
*esse título é uma alusão à lua encantadora que tem feito irradiar um azul lindo e misterioso na sombra dos Alpes desde sexta feira. Ficar na varanda assistindo a essa dança de sombra e luz, lua, nuvem, estrela, montanha, é absolutamente hipnotizante. Eu amo essa varanda minha.
Hoje dei um espirro quando já estava em casa e sozinha. Aí eu disse “saúde” para mim mesma. Deve ser efeito de chegar e ficar sozinha, já que eu tinha desacostumado com essas minhas noites silenciosas (a não ser que pela tevê, caso eu a ligue).
--
Semana passada foi uma bagunça. Fora a segunda à noite, na qual eu tinha que me recuperar do “efeito Paris”, tinha gente aqui na terça, quarta, quinta, sexta, e sábado. “Gente”, não. Recebi a visita ilustre das minhas duas primas queridas ao mesmo tempo agora. Foi a maior farra, a maior bagunça, vinhozinho toda noite, perturbação com o seu Mariano, agito nas ruas de Genebra.
--
Aí quando elas foram ficamos eu e o silêncio sentados lado a lado na cama. Não como ilustres desconhecidos, sino que como ex-namorados se não sabem ao certo se querem mesmo voltar a ficar juntos, mas que como uma força sobrenatural os impele a ficar juntos, eles ficam juntos.
--
Quando as meninas estavam aqui, eu percebi que eu estou super feliz na minha grande cama com meu edredom gordo. Nas primeiras noites que dividi a cama, eu chutava, me esparramava inteira pela cama, roubava o edredom só para mim.
Também percebi que eu AMO, PRECISO, SINTO MUITA FALTA, de chegar em casa e falar loucamente sobre meu dia. E aí fulano isso, cicrano aquilo, reunião na ONU, relatório do Irã, pesquisa sobre o consumo e plantação do tabaco. Por isso que às vezes o silêncio é uma pontada na alma. Por isso que eu disse “saúde” a mim mesma.
--
Fora isso, morar sozinha me cai muito bem. E Genebra também, cai suave e gostosa.
--
Hoje cheguei em casa, espirrei, desci lavar roupa, subi e tirei a maquiagem e a roupa de trabalho, daí cozinhei meu jantar, peguei a roupa na máquina, fiquei pendurando roupa para secar, guardando roupa já seca, e abri o computador. Para conversar, do jeito que eu queria – hoje por sorte o vizinho tinha ligado o Skype. Nesse meio tempo, enquanto o arroz fervia, também li meu livro novo e percebi, de novo, que lavar roupa me é uma terapia que eu adoro. No final, a gente se sente melhor quando fica quieto em seu próprio casulo, voltado um pouco mais para dentro e não tanto para fora. Aqui, a vida é inteira voltada para fora. Mas chegar em casa, cozinhar, ficar quietinha. É gostoso. É voltar para dentro.
--
Porque tem uma coisa que hoje eu conversava com a Catherine na hora do almoço.
Vida social super ativa é sempre muito divertido. Mas cansa demais também, porque em grupo, no restaurante, no bar, a gente tem que estar sempre bem. Não pode simplesmente estar. Tem que ESTAR simpática, ESTAR feliz, ESTAR piadista, ESTAR falante. E às vezes a gente simplesmente não está a fim de tudo isso. Às vezes a única coisa que eu quero é a companhia dos meus bons e velhos amigos, gente que vai adorar meu silêncio e continuar gostando de mim mesmo se eu estiver mal humorada. É engraçado e soa até piegas, mas essa é uma daquelas coisas básicas que a gente só descobre que sente falta quando a gente não tem. Aqui, por enquanto, tenho vivido muitos momentos em grupo e raríssimos – ou nenhum – momento de intimidade com os amigos. Aqui eu ainda não tenho amigos íntimos, fora alguns fortes candidatos ao posto. Mas fora isso, fora os candidatos, sou eu e eu mesma. E às vezes a gente acorda carente, saudosa, chorosa. Pode mesmo ser a TPM. Mas não faz diferença – é um dia após o outro, e cada dia tem suas coisas. Está tudo certo que eu tenha estado chorosa hoje, e que tenha preferido falar no MSN durante o dia do que fazer o UPR da Nicarágua. Como eu disse, tem dias e dias. Mas enfim, hoje acordei assim, sentindo falta dos momentos íntimos, com vontade de me aninhar no colo de alguém e só ficar assim, quietinha, recebendo cafuné. Uma coisa “de volta pro meu aconchego”.
--
E aí chegar em casa e me deparar com a pilha de roupa a lavar, com a cama de casal grande e vazia, é a realidade nua e crua de que eu sou meu próprio aconchego. Legal. Se isso não é amadurecer, acho então que eu não sei o que é.
--
A companhia exclusiva das pessoas com quem eu trabalho, seja no trabalho, seja no lazer, às vezes cansa. É muita mulher junta, muito estrógeno acumulado. Não dá mesmo.
Coitado do Paulo. Ele com sete mulheres sozinho em uma sala definitivamente não deve ser tarefa fácil.
--
Ainda bem que meu plano de diversificar as fontes está dando certo.
Entre os estagiários da OMC encontrei meu novo companheiro de viagem.
E aí tem a Pryanka, indiana que conheci nos corredores da OMS, e a Catherine, italiana que conheci na casa da Jô, com quem tenho tentado me relacionar cada vez mais. As duas já me convidaram a freqüentar a casa delas. Isso, para um europeu, é um passo gigantesco de intimidade. Fiquei lisonjeada com os convites. A Pryanka quer que eu conheça os pais dela ( o pai dela é mega executivo de sei lá o que e eles moram aqui na Suíça há dezessete anos) e coma comida indiana e me sinta em casa, oferecendo a “família emprestada”. A Catherine quer “falar português, paquerar o Paulo, dar risada com as meninas brasileiras, e cozinhar um risoto para ser amiga de verdade porque, Mariana, você é muito bacana mesmo”.
Tem também o Amjr e sua tchurma de sérvios, carinhas bacanas e gentes finas cuja companhia eu adoro.
E tem o Tango. Tudo bem, a gente se fala mais ao telefone e por email tentando marcar alguma coisa do que se encontra de verdade. Mas fica sempre a tentativa. Eu e o Tango, pelo menos, me lembra São Paulo – a cidade onde as pessoas não conseguem se encontrar (como eu consigo ter saudades disso???).
E aí tem o pessoal do Couch Surfing: Alfonso, Tal, Jô, Jeanne, Raffaella – pelo menos as noites de quarta com o CouchSurfing estão sempre garantidas.
Para um mês de estadia, acho que consegui um grupo bastante diversificado. Então está tudo dando certo nesse sentido, embora aquelas saudades específicas às vezes apertem.
--
Cada vez mais as pessoas têm me perguntado se eu volto mesmo, já que eu estou gostando tanto. Dia 16 de abril eu chego no Brasil. Mas a partir do dia 17 eu já não sei o que pode acontecer. Futuro aberto pode ser muito incômodo ou muito cômodo dependendo do ponto de vista. Previsibilidades têm me cansado. Procedimentos padrões só existem no modus operandi do século passado, a vida para mim tem sido o improviso puro do agora.
--
Eu estou adorando saber que eu não sei o que será que será a partir do dia 17 de abril.
--
Também estou adorando tirar fotos loucamente. Acho que vou fazer um curso de fotografia quando chegar em São Paulo. Aliás, chego em São Paulo com uma certeza: preciso cuidar das artes de dentro. Música, foto, escrita. Preciso fazer alguma coisa ou os três. Arte reprimida não é bom. Arte liberada tem me feito muito bem.
--
Hoje, Dia de Iemanjá, dedicamos – eu e Catherine – flores na margem do lado. Foi um momento bastante bonito e poético. O vento estava gelado e a praia, ensolarada. Desejei muito, reforcei pensamentos positivos, agradeci tudo de sempre. É... a deusa da fertilidade, da novidade, da feminilidade, da beleza. Que ela nos acompanhe em nossas trajetórias, sempre.
--
Itália, Itália, Itália. A Itália me chama.
--
O tempo, rei, passa muito rápido. Passa e transforma pessoas e espaços. Há dois meses eu saí do Brasil. Dois meses tanto tempo é! E acho que passa mais rápido para quem saiu do que para quem ficou, embora para quem ficou as coisas também estejam rápidas. Mas assim, quase metade do meu tempo longe já se foi. E meu primeiro mês, vuft, acabou. Fevereiro vai passar rápido e março será um furacão. E aí, depois de respirar um pouco na Itália, eu cheguei de volta.
--
Vai ser assim, sem fechar os olhos, muito rápido.
--
Quatro meses e meio ora parecem muito, ora parecem pouco. Fica a vontade de fazer casa aqui. Fica a vontade de voltar pro Brasil que tem o caos, a cerveja da Dida, a carne vermelha a preços módicos. Fica a vontade de escolher Genebra, onde as pessoas se encontram (menos eu e o Tango).
--
Você tem fome de quê? Quando eu tive fome de fondue, eu comi. Mas carne vermelha não dá. Estou vendo o dia que vou sonhar com uma picanha sangrenta na minha frente.
--
Minha cama e meu abajur e meu edredom e meu livro me esperam. Amanhã o despertador toca de novo, e o sol estará lá, atrás daquela montanha, brilhando laranja de amanhecer. Mas já serão oito da manhã. Sol de inverno levanta preguiçoso.
