Carouge é um bairro lindinho e encantador. Eu só conhecia de ouvir falar de seu histórico boêmio, de sua vocação artística, de seus bares de jazz. Mas ontem, fui até lá ver em pessoa.
E me perdi entre as vielas, praças secretas escondidas, praças grandes com igreja. Domingo nada acontece na cidade calvinista, mas Carouge, mesmo que inteira fechada, tinha pessoas passeando em suas ruas.
Carouge, para entender, é um pouco Palermo em Buenos Aires, um pouco Vila Madalena em São Paulo, bairro aconchegante com arte correndo na veia.
Carouge parece vilinha de interior com vitrines cosmopolitas de roupas alternativas, ateliers de cerâmica e madeira e arte contemporânea, cafés bacanas, cinema de filmes B, paredes pintadas nos prédios, pichações artísticas.
Em Carouge, eu sentei sozinha e almocei sanduíche elaboradinho de presunto cru, uma taça de vinho, e uma mousse de chocolate com amêndoas que me foi inesquecível.
Quando eu morar de verdade por aqui, acho que é em Carouge que eu quero morar. Em Carouge ou na Vieille Ville.
Deuxiême Partie - Perdu à Vieille Ville
Daí de lá peguei o tram, andei andei, e cheguei na Vieille Ville. Tarde de domingo ensolarada lota o Parc des Bations e as ruas de pedra da Vieille Ville. Nesse domingo em especial, lotou ainda mais. Como primeiro domingo do mês, teve museus com entrada gratuitas, e todos os museus ficam, em sua maioria, nesse canto da cidade.
Então de novo eu vaguei, como no Carouge, sem direção e com um objetivo muito simples - o de desfrutar o momento e apenas isso.
As ruas de pedra, os prédios antigos, tudo isso que no meu primeiro dia em Genève me pareceu tão sem graça ontem me pareceu a coisa mais fofucha e gostosa. Enfim, o centrinho histórico de Genève é lindinho. E eu visitei o museu principal da cidade, com Monet, Van Gogh, Rodin, e muitas outras coisas. Arte alimenta a alma, minha gente, e mais cego é quem não vê isso.
E então, na Vieille Ville, ponto alto da cidade (não só metaforicamente falando, fisicamente também) o vento de fim de tarde já era bem gelado e aquele solzinho que ficava fraco ia deixando de esquentar. Então quando isso aconteceu eu parei de andar e fiz algo muito tipicamente genevoise: comprei 100grs de marrons grelhados, sentei-me na praça na frente da fonte, e lá fiquei, flaneur, comendo, pensando sobre a vida, sentindo o vento gelado, vendo as pessoas.
E quando os marrons acabaram e meus dedos já doíam de gelado, entrei no café da frente. Tomei um vinho, de novo. Conheci alguém importante que trabalha na ONU. Esperei a minha amiga italiana para mais uma rodada de boas conversas.
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Esse meu domingo solitário e flaneur rendeu lindas fotos. Depois eu posto elas aqui.
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My special thanks para as minhas amigas brasileiras, que me deram um bolo TÃO gigantesco esse domingo. Foi isso que me proporcionou esses deliciosos e leves momentos sozinha. De verdade, isso não é cinismo, agradeço a essas meninas. Com elas, acho que eu não teria ido parar no Carouge.
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