segunda-feira, 22 de março de 2010

Bananada de Marmelo

Hoje eu acordei assim, feliz, bem humorada, boba alegre.
Liguei para a Ghê e dei parabéns.
Fui na OIT e dei risada com a Ministra.
Ontem eu dormi sorrindo.
Fiquei ouvindo Charlie Winston, I love your smile, no clipe que tem as paisagens lindas e a Audrey Tatou.
Dei dois pulinhos no meio da rua, no ritmo da música que tocava no meu celular.
Cheguei já fazendo bagunça com as meninas.
Toca aqui!, eu disse, para uma das estagiárias mais formais daqui - e quebrei toda essa formalidade barata.
Camisa azul marinho de seda e pronto, é com muito pouco que a gente se sente bonita.
É com muito pouco que a gente se sente bem.
O casacão já se faz desnecessário nessa primavera de quase.
Comi um bom almoço - e saudável.
Comi de sobremesa uma torta de chocolate de uma das chocolaterias mais tradicionais daqui.
É porque é segunda e eu quero uma boa semana.
Me dei uma loucura de presente e estou toda boba, sorrindo pelos cantos.
Essa semana está lotada todas as noites de eventos de despedida.
Já me sinto com um pézinho no Brasil, mas estou muito focada nesse presente gostoso de uma Genebra quentinha e ensolarada.
As meninas, estamos todas tão felizes.
Não vejo a hora de ir para a Itália comer, dormir, sonhar, viajar, tudo isso, em italiano.
Tudo isso e mais um pouco, um sorriso de boca de batom vermelho, partir pro abraço daqui há pouco e todo aquele calor humano da nossa casa.
Está tudo jóia, embora algumas piadas continuem infames.
Tudo certo como dois e dois são cinco - meus sentimentos são vetores me puxando em direções realmente muito opostas. Eu quero ficar. Eu quero chegar em casa.
Acho que é fácil ser feliz, porque são dessas coisas pequenas que fazem a gente ficar assim.
No Brasil, as pessoas estão casando, fazendo grandes almoços familiares, indo ao cinema. Daqui eu observo tudo com a ausência dessa distância, mas com o calor no coração dos sentimentos que nos deixam juntos.
Acho até que a cidade vai ficando menos sisuda quando os restaurantes começam a colocar suas mesas na calçada. Acho também que Genebra deve ficar mais vazia. É o que dizem meus queridos daqui, que não querem que eu vá de volta.
O despertador não me atrasa mais não, e meu iogurte com cereal vendo aquelas montanhas continua me fazendo bem.
Não quero arrumar minhas malas. A sensação de partir é chatinha, eu já conheci essa chatisse uma vez e viverei ela de novo. Partir é chato e é feliz.
Mas não vejo a hora de voltar - com as malas cheias de histórias, novidades, fotos, cheiros e trejeitos.
Quem será que eu encontrarei nesse aeroporto do meu porto seguro?
Porque afinal, voltar para casa nada mais é do que voltar para aquele lugar que a gente sabe onde é.

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