segunda-feira, 22 de março de 2010

Bananada de Marmelo

Hoje eu acordei assim, feliz, bem humorada, boba alegre.
Liguei para a Ghê e dei parabéns.
Fui na OIT e dei risada com a Ministra.
Ontem eu dormi sorrindo.
Fiquei ouvindo Charlie Winston, I love your smile, no clipe que tem as paisagens lindas e a Audrey Tatou.
Dei dois pulinhos no meio da rua, no ritmo da música que tocava no meu celular.
Cheguei já fazendo bagunça com as meninas.
Toca aqui!, eu disse, para uma das estagiárias mais formais daqui - e quebrei toda essa formalidade barata.
Camisa azul marinho de seda e pronto, é com muito pouco que a gente se sente bonita.
É com muito pouco que a gente se sente bem.
O casacão já se faz desnecessário nessa primavera de quase.
Comi um bom almoço - e saudável.
Comi de sobremesa uma torta de chocolate de uma das chocolaterias mais tradicionais daqui.
É porque é segunda e eu quero uma boa semana.
Me dei uma loucura de presente e estou toda boba, sorrindo pelos cantos.
Essa semana está lotada todas as noites de eventos de despedida.
Já me sinto com um pézinho no Brasil, mas estou muito focada nesse presente gostoso de uma Genebra quentinha e ensolarada.
As meninas, estamos todas tão felizes.
Não vejo a hora de ir para a Itália comer, dormir, sonhar, viajar, tudo isso, em italiano.
Tudo isso e mais um pouco, um sorriso de boca de batom vermelho, partir pro abraço daqui há pouco e todo aquele calor humano da nossa casa.
Está tudo jóia, embora algumas piadas continuem infames.
Tudo certo como dois e dois são cinco - meus sentimentos são vetores me puxando em direções realmente muito opostas. Eu quero ficar. Eu quero chegar em casa.
Acho que é fácil ser feliz, porque são dessas coisas pequenas que fazem a gente ficar assim.
No Brasil, as pessoas estão casando, fazendo grandes almoços familiares, indo ao cinema. Daqui eu observo tudo com a ausência dessa distância, mas com o calor no coração dos sentimentos que nos deixam juntos.
Acho até que a cidade vai ficando menos sisuda quando os restaurantes começam a colocar suas mesas na calçada. Acho também que Genebra deve ficar mais vazia. É o que dizem meus queridos daqui, que não querem que eu vá de volta.
O despertador não me atrasa mais não, e meu iogurte com cereal vendo aquelas montanhas continua me fazendo bem.
Não quero arrumar minhas malas. A sensação de partir é chatinha, eu já conheci essa chatisse uma vez e viverei ela de novo. Partir é chato e é feliz.
Mas não vejo a hora de voltar - com as malas cheias de histórias, novidades, fotos, cheiros e trejeitos.
Quem será que eu encontrarei nesse aeroporto do meu porto seguro?
Porque afinal, voltar para casa nada mais é do que voltar para aquele lugar que a gente sabe onde é.

quarta-feira, 17 de março de 2010

...e sempre tem mais fotos!

Aqui:

Eu disse sim

Genebra em sua versão insólita chega a ser no máximo aquele trânsito estranho de sábado no final do dia. Por isso que Genebra não surpreende e nem acolhe, porque ela é isso: flat, pasteurizada, serena, fácil.

Genebra é cidade plana em pleno mundo tão redondo!

Genebra é aquela varanda imensa no quarto da Jonction, de onde eu vejo toda a abóbada celeste e um pouco das janelas e dos telhados e das fumaças. Sob tudo isso, sob o peso das estrelas que brilham em cima, eu sento e penso no final dos meus dias. Sempre. E é com o sol nascendo atrás das montanhas que eu acordo, e aí ao invés de pensar eu agradeço.

Porque é só agradecendo e recebendo e assim por diante, e fazendo tudo isso sem muito pensar, que eu consigo entender isso aqui. Isso aqui, eu digo, o significado dessa cidade para mim.

Falta sal em Genebra, falta tempero, falta cultura urbana, tribo de rua, barulho, falta parede pichada, falta gente estilosa – as pessoas aqui, ou são peruérrimas-chiquetérrimas ao excesso, ou se vestem mal e sem estilo próprio. Falta um rapper, e parece que falta sonho para essa juventude de high school, que faz bagunça nos trams e fuma muito cigarro pelas ruas – e isso é o máximo que eles conseguem fazer de “proibido”.

Genebra não ressalta as cores – pelo contrário, as roupas em cores vivas das mulheres africanas da ONU, quando perdidas pelo centro de Genebra, viram quase cor pastel.

E então, no meio de tudo isso, eu fico assim perdida entre as pessoas e agradecendo. Porque foi aqui que tudo aconteceu, que muitas transformações se passaram, que o metabolismo acelerou e depois ficou devagar, que o vinho ficou banalizado, que eu parei de fumar, voltei a fumar, parei de fumar de novo e de verdade.

Genebra sedia a ONU – meu sonho de andar pelos corredores de lá foi realizado. O que você faz quando a realização do seu sonho vira uma decepção? Quando o choque de realidade dói na boca do estômago e te tira o ar? Quando minha auto-imagem cai por terra ao me deparar com tantas outras realidades? Uma construção e desconstrução e eu não sei a quantas eu chegarei de volta. Nossa, como eu quero chegar de volta. Uma parte de mim não vê a hora.

E então, naquela vidinha construída aqui, acaba a rotina gostosa. Que rotina eu prefiro? Posso ficar com as duas? Porque eu acho que ficarei para sempre, agora, com esse gosto de duas cidades, amigos, aqui e ali, e por todas as outras cidades que eu passar será assim. Quem mandou ser pessoa afetiva que se apega? O ciclo deve se repetir, ter várias casas, distribuir meu coração pelo mundo, parece difícil e ao mesmo tempo tão gostoso.

Vou sentir falta dos meus amigos daqui, da minha rotina daqui. Senti muita falta da rotina de São Paulo, dos meus amigos de São Paulo. E assim a gente vai, bipolarizando.

Meus medos – quando eu me deparo frente a frente com eles, acho que eu faço a careta mais feia. Porque eles vão ficando menores, aos poucos. E é só uma questão de encará-los.

Minhas paixões ficaram mais fortes – pela escrita, pela fotografia, pela música. Arte faz o sangue passear renovado pelas minhas veias.

É disso que se trata o CERN: o conhecimento pelo conhecimento, e é tão grande, que mesmo as conseqüências periféricas do experimento são gigantescas – o CERN “inventou” a internet-www “sem querer”. O CERN é muito específico, muito revolucionário, muito complexo, não dá insônia mas coloca a gente para pensar. Até onde o ser humano quer ir, e por que faz diferença descobrir o que houve no BigBang? É saber para poder responder. É apostar alto, altíssimo, e ver as conseqüências. O experimento é caro e tem estruturas quase que mitológicas, e exige de seus cientistas uma crença cega de fé extrema – a fé na ciência, usada a seu favor. Como disse um dos cientistas do filme, “se nada der certo, pelo menos a gente aprende que a gente sabe muito pouco”. Então, um experimento com orçamento anual de 1bi de CHF tem UM EM UM TRILHÃO DE CHANCES de dar certo – dar certo, no caso, é identificar o querido bóson de Higgs. Esse mesmo experimento chega aos extremos: ali são reproduzidas temperaturas como o 1,9 Kelvin, próximo do zero de Kelvin – sim, estamos falando do tal do zero absoluto. Aqui no CERN, essa é a temperatura mais baixa DA GALÁXIA. No mesmo experimento, reproduz-se a 2ª temperatura mais alta do Sistema Solar – só perdendo para o interior do próprio sol. E então, o experimento LHC (o tal do acelerador de partículas) é seu próprio protótipo. Quando questionado, o cientista diz que a segurança humana é a prioridade nível zero do experimento, ou seja, sem assegurar totalmente a segurança humana o experimento não acontece. Mas se ele, com essas cifras colossais, é seu próprio protótipo... então é de fé na ciência que vive quem acha que a segurança humana está 100% assegurada? Daí a minha mãe ficou preocupada com a minha ida ao tal do experimento. Minha resposta? Que se me acontecer qualquer coisa porque deu qualquer merda no CERN, que ela não se preocupe – em 15 segundos acontece ao Brasil, ao mundo inteiro. O CERN é assim, furiosamente gigantesco. Filme de ficção científica? Piada de mal gosto? Não. Isso é só a tal da física pura. Então eu desejo que o bóson de Higgs apareça (só para evitar suicídio em massa dos dez mil cientistas que participam do experimento) e que as conseqüências periféricas e inimagináveis sejam de impacto. Serão, certamente.

Por isso eu acho que, guardadas as devidas proporções, o CERN está para a humanidade e mais especificamente para a comunidade científica assim como esse meu período em terras européias está para a minha vida: aposta alta, impacto e investimentos gigantescos, resultado final quase que imensurável (do que pode ser bom e ruim e principalmente desse aprendizado anti-maniqueísta, o mundo não é maniqueísta, de que a definição de bem e mal, bom ou ruim, só depende do seu ângulo, do seu ponto de vista), conseqüências periféricas nobres e colossais.

Então,

sonhando com a picanha;

contando os dias;

aproveitando cada segundo;

com a certeza de morrer de saudades disso daqui (com a certeza de que as saudades serão uma constante – de Genebra quando eu estiver em SP, de SP e de Genebra quando eu estiver em qualquer outro lugar do mundo, e assim por diante e crescendo);

com a vontade de matar as saudades daí;

tentando encontrar todo mundo aqui;

já sabendo que eu vou morrer MORRER de saudades da Nana e da Lia, eitcha triozinho improvável e feliz que formamos;

já sabendo que Priyanka e Catherine, ai, entraram pro hall dos meus amigos que moram longe - porque eu realmente acho que não voltaremos mais a morar na mesma cidade, quizá no mesmo país, cada uma de nós tem uma história e ela só será próxima quando nos encontrarmos de férias - se eu não fosse da geração da internet, estaria perdidinha da silva;

desfrutando dos momentos que agora virei uma habitué da Residência da Embaixadora;

olhando para o céu na varanda na Jonction;

então é assim que eu vivo hoje em dia.

Annecy é viver em um conto de fadas no meio de tudo isso.

E no tram, a Nana fez que fez que comprou briga com a evangélica brasileira que ouviu a gente cantando “e essas feridas da vida, Margariiiida, e essas feridas da vida amarga vida” e disse que precisávamos encontrar Jesus na igreja mais próxima – meninas, tem uma igreja evangélica aqui do ladinho, bem atrás da Gare, é lá que eu vou, e que Deus as abençoe e permita que vocês vão lá também para encontrar Jesus.

Quase que eu soltei um vade retro para ela, mas acho que o caldo engrossaria. Então, enquanto eu me controlava, a Nana se descontrolava, e as duas começaram a discutir quem é mais importante: Nossa Senhora ou Jesus. E eu segurando o riso, e com medo daquela mulher de olhar bizarro que não parou de nos olhar. Inventamos uma história em sintonia e descemos no primeiro ponto possível.

Seja com CERN, com Annecy, com a crente do tram, com mil coisas e tudo, eu só tenho mais quinze dias de Genebra. Que não chega a ser insólita, mas exige um pouco de abstração. Eu disse sim – e acho que isso é suficiente.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Oito de Março de 2010 - a day in the life

Dos meus últimos Dias Internacionais da Mulher:

2005: receber flores na porta da IBM e nada mais;

2006: idem;

2007: receber flores na IBM, telefonema fofo do meu ex namorado me agradecendo por ser mulher e por fazer parte da vida dele, e nada mais;

2008: trabalhei em pleno sábado, recebi uma mensagem do meu amigo sobre as mulheres superpoderosas que o cercam, participei da comemoração da formatura do meu irmão em casa, e nada mais;

2009: em um domingo de calor insuportável, eu estava super emotiva, fui ao cinema ver um filme suíço sobre a história de um avô e um neto que são aviadores, e encontrei uma amiga depois para um café. Em família, estávamos nos despedindo da minha avó – uma das mulheres mais importantes na minha vida.

2010, Oito de Março

07/03, domingo.

O dia 08/03 começou na véspera, quando discutíamos no trem o papo de buteco que defende que o dia da mulher já está obsoleto (leiam em Cor de Rosa Choque).

Ainda na véspera, quando cheguei em casa separei minha roupa para o dia seguinte – meu blazer vermelho era a principal peça do look.

08/03, segunda.

Acordei com tempo, tranquilamente. Tomei café, me vesti, fiz a make, e saí. A caminho do ponto de ônibus, o vento batia de um jeito que parecia que ele me levaria embora.

A manhã no escritório foi bastante ordinária, até cinco para uma, quando um dos diplomatas apareceu lá na nossa salinha oferecendo dois convites para um almoço na Residência da Embaixadora. Sem muito esforço, eu fui uma das duas “contempladas”.

Foi tudo muito rápido: pegar o casaco e descer. Só deu tempo para, na euforia, ligar para o meu pai e contar a novidade. Logo chegou o motorista, em uma Mercedez grande, para nos levar.

A porta do carro e da casa foi aberta por um mordomo brasileiro, que usava luvas brancas. Ele tirou nossos casacos, como nessas cenas que se vê em filme. Foi o tempo de a Embaixadora nos ver e falar: “Marianas, entrem, sejam bem-vindas!”. E circulamos pela sala, sendo apresentadas para as pessoas ilustres que lá estavam.

Uma das pessoas era uma diplomata com quem eu trabalho bastante, e que se sentiu íntima o suficiente para me encabular na frente de todos. Ao me cumprimentar, ela disse em alto e bom som: “Nossa, Mariana! Como você está descabelada hoje!”. Eu dei uma risadinha sem jeito e querendo dar um chute na canela dela, e ela completou: “deve ser o vento, né...”.

Ficamos todos sentados na sala de visitas falando sobre os mais variados temas, até que alguém pediu para tirar uma foto e eu tinha a máquina. Resultado? As fotos oficiais do almoço, todas, estão comigo.

Na sala do almoço. Para cada um de nós, um pequeno papel com o menu do almoço – como em um casamento, mas era um almoço para 12 pessoas. E no menu, em relevo dourado, o timbre do Brasil.

A comida estava deliciosa, e o vinho dispensa comentários, porque descia macio, leve e gostoso. E caiu bem, extremamente bem, para aquele almoço de segunda feira. Eu, com meu cabelo descabelado e o blazer vermelho, em um dia de muito vento.

A verdade é que eu não quero soar deslumbrada nem nada, mas apesar de alguns desencontros ideológicos e de valores humanos (esses que vêm com a criação, sabe?), meu primeiro almoço na Residência Oficial do Brasil foi realmente histórico.

Na OIT, o debate era entre mulheres trabalhadoras e a mesa, formada por mulheres com histórias emocionantes de luta pela igualdade e pela dignidade. Por diversas vezes, ouvir o depoimento com a história pessoal delas me emocionou bastante. É nessas horas que Genebra vale a pena: quando as coisas são positivas, elas são MUITO positivas. E a tarde na OIT foi simplesmente memorável, linda.

Em seguida tivemos um coquetel para a abertura da exposição que o Brasil organizou nos corredores da OIT, com artistas mulheres das três artes: fotografia, pintura e escultura. A parte boa do coquetel foi, na verdade, o pão de queijo – a gente só sente falta de certas coisas quando não as tem mais banalizadas, e pão de queijo definitivamente figura entre uma das minhas maiores saudades. E a parte boa da exposição é, na verdade, a exposição em si – com trabalhos, todos, bastante bonitos.

Continuando o dia, após alguns poucos minutos de volta no escritório, já fomos embora em direção ao Victoria Hall, procurando um last minute ticket para o show do Pablo Milanés que estava 100% esgotado. Momentos de emoção e barganha, adrenalina na veia, e então, exercitando meu lado mais árabe-negociador que eu tenho, conseguimos (ao som dos aplausos das pessoas, dado que ele estava entrando no palco naquele exato instante) três ingressos por 60 francos cada nos melhores (eu disse, os MELHORES) lugares do teatro, lugares esses que valeriam 130 francos se não fossem a negociação, a adrenalina, o last minute.

Uma hora e meia de show e de emoções, ouvindo aquela voz macia e gostosa, em músicas lindas, em um teatro de uma beleza louca. Saímos de lá, nós três, em êxtase absoluta, e realmente muito, extremamente felizes.

Quando eu cheguei em casa o vento batia gelado, ainda, e muito forte, e barulhento. Parecia que ele me levantaria do chão e me levaria embora.

Mas o blazer vermelho eu ainda vestia.

Na hora de ir dormir, eu não queria ir dormir, em um comportamento infantil de quem não quer que o dia acabe.

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Mulheres ilustres dessa semana

Sou mesmo cercada por muitas mulheres ilustres. Mas essa semana recebi o que eu gostaria de divulgar aqui, de duas mulheres ilustres e inspiradoras ao mesmo tempo.

Texto da Lia Maria

Lia é uma das meninas daqui do estágio, e uma mulher que me inspira. Ela me deu o texto abaixo querendo saber minha opinião (???) sobre ele, e eu perguntei se eu poderia divulgá-lo aqui.

Quando o frio corta a face pela manhã

Que parece noite,

Só a música para me acalentar.

Os griots me ensinaram que levamos um tambor

No peito e que a melhor coisa sobre a música é

Que quando ela te arrebata, te toca, te toma... você não sente dor...

Agora quando o vento gela... os olhos lacrimejam...

E a secura consome o ar... e a tristeza é senhora...

E não há filosofia nem bobo ashanti, nem água de alavante que me anime...

O silencio é discurso

E a certeza é tesouro

Momento de recolher...

Sem mais...

Eu consciência e eu espírito...

Me perder para me achar...

É tudo que quero:

Me esvaziar de mim mesma para me banhar em mim.

Hipérbole

Palestra da Tia Ana

E a tia Ana me viu crescer, e eu acompanhei de longe um pouquinho da carreira acadêmica dela, principalmente quando nos encontrávamos nos corredores da PUC. Agora, olha só, ela será uma palestrante na Livraria da Vila da Al. Lorena.

Será nos dias 22 e 23 de março, das 19.30 às 21.30, e o tema não poderia ser mais encantador: Homenagem à Tarsila do Amaral e Anita Malfati.

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Fotos

São novas, todas essas:

http://picasaweb.google.com/mariana.chammas/2728020503#

http://picasaweb.google.com/mariana.chammas/DiaDosTrajesTipicosNoConselhoDeDireitosHumanosNasNacoesUnidas#

http://picasaweb.google.com/mariana.chammas/Interlaken#

http://picasaweb.google.com/mariana.chammas/DiaDaMulherEmGenebra#

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Beleza na Suíça, beleza das pessoas

Na Suíça:

Interlaken e toda aquela região na base do Jungfrau é de uma beleza que eu nunca tinha visto antes. Impressiona e arrepia, por sua imponência, por suas montanhas, por seu tamanho, por tudo. Pelo seu frio, também: menos dezesseis Celsius já entra no hall das temperaturas difíceis para meu corpinho.

Das pessoas:

Um alto cargo de um posto na ONU demonstra sua humanidade e humildade. O outro alto cargo em outra organização internacional sediada aqui, também. Alguns dos diplomatas também. Isso quer dizer, por enquanto, que nem tudo está tão perdido.

Um dos diplomatas quer nascer um jardineiro suíço em sua próxima geração. As justificativas são longas e lúdicas. O desespero com relação ao multilateralismo inspira.

E então, na mesa de um pub, eu, um amigo que trabalha na ONU, e uma amiga que trabalha na Anistia Internacional, de repente inventamos o que seria a nossa Reforma da ONU. Isso porque a idéia era começar falando sobre como conseguir um trabalho na ONU. Eu agradeci ao Kevin, dizendo que a conversa tinha sido inspiradora. Ele me respondeu que as minhas idéias, a minha alegria e simpatia, e a minha beleza é que são inspiradoras.

Pôxa... que legal o jeito que começa meu último mês aqui em Genebra.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cor de Rosa Choque

Nas duas faces de Eva, a bela e a fera

Um certo sorriso de quem nada quer...

Sexo frágil não foge à luta

E nem só de cama vive a mulher...

Por isso não provoque é cor de rosa choque

Mulher é bicho esquisito todo o mês sangra

Um sexto sentido maior que a razão

Gata borralheira você é princesa

Dondoca é uma espécie em extinção...

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Aí no Brasil, muitas das pessoas que eu conheço acham que o Dia da Mulher já não vale de nada, que é uma data desnecessária, que as mulheres já conquistaram muito.

Algumas das minhas amigas (e às vezes até eu) reclamam de algumas das conquistas do feminismo, principalmente no que tange ao feminismo aplicados nos relacionamentos (sim, homens, nós ainda gostamos de ser galanteadas à moda antiga! Ainda gostamos que abram a porta do carro, e amamos ganhar flores).

Mas aí eu venho para cá, onde rola o maior fuzuê político de verdade pelo Dia da Mulher, e percebo quão importante ele se faz. Ele não é, ainda, uma data obsoleta - antes fosse.

O número de violência doméstica mundo afora é gigantesco - e isso não é nenhum privilégio de países extremamente pobres, não. A Anistia Internacional estima que um terço das mulheres de todo o mundo já sofreu algum tipo de violência doméstica. UM TERÇO. É uma porcentagem gigantesca, enorme mesmo.

E no mercado de trabalho, então? A diferença de salários, a predileção por homens para cargos altos... E na política? Angela Merkel e Michelle Bachelet são heroínas por terem chegado onde estão.

Esse post não é um post teórico sobre questões de gênero e ele tem, assim, esse ar de conversa de buteco porque foi ontem em uma conversa polêmica no trem (quando um amigo disse que "Dia da mulher é faz de conta porque todo dia é dia da mulher") que surgiu a idéia de escrever aqui.

Eu não quero nem pretendo apresentar dados e mais dados (isso tudo está no Google, a um click de vocês) sobre a questão da mulher, mas o que eu quero é lembrá-los da relevância dessa data. E que ela precisa, sim, continuar existindo. E que o feminismo contemporâneo ainda é, sim, necessário. Porque o que se vê por aí não é nada fácil.

Então desejo a todos um dia "Cor de Rosa Choque" para todos os leitores desse blog, homens e mulheres.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O mundo está ao contrário e ninguém reparou

Como bem disse a Tam, é a revolta da natureza contra o não-resultado de Copenhague.
Eu não sei mais como isso se chama tecnicamente - seja mudança climática, seja aquecimento global, qualquer coisa.
A questão é que a natureza não está mais aguentando o que a gente tem aprontado nesse mundo. E 2010 começa assim, infelizmente, com toda essa revolta.
Eu adoraria ter mordido a minha língua quando, antes de sair do Brasil, eu falava aos quatro ventos "quantos tsunamis precisaremos ter para entendermos que precisamos mudar nosso estilo de vida?". Pois é. Acho que a multiplicação dos tsunamis começou, infelizmente.
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São Luis do Paraitinga e Angra dos Reis. Cidades devastadas, literalmente.
Sâo Paulo. O caos na grande cidade.
Europa inteira. Um inverno muito mais rigoroso que todos jamais poderiam esperar.
Portugal, Espanha, França. Furacão Xynthia.
Haiti. Um país inteiro destruído.
Chile. Idem, quase.
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Eu fico triste, muito muito triste, com essas histórias.
O mundo está ao contrário e ninguém reparou.
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Informe público, para os paulistanos:
Happy hour de solidariedade ao Chile e Campanha de arrecadação


Queridos amigos, comunidade chilena em São Paulo, amigos do Chile:

Estamos organizando para o próximo dia 10 de março, quarta-feira, a partir das 19h, umaHappy Hour de Solidariedade ao Chile e Campanha de Arrecadação para ajudar as vítimas do terremoto.

O evento acontecerá no tradicional restaurante chileno "El Guatón", que também estará como posto de coleta até o próximo dia 21/março.

Evento de Solidariedade ao Chile:

10/março, quarta-feira, a partir das 19h

Local: Restaurante El Guatón, Rua Arthur de Azevedo 906 - Pinheiros

O que estamos arrecadando:

- Cobertores, mantas, lençol

- Material de higiene pessoal: sabonete, pasta e escova de dentes etc.

- Roupas (especialmente de frio) para adultos e crianças,

Para aqueles que desejem constribuir financeiramente, indicamos abaixo o site de instituições chilenas que estão recebendo doações.

Contamos com a sua presença!

Um abraço,

Sr. Carlos "Guatón"

Sheila Saraiva

Zuleica Goulart

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Algumas instituições idôneas que estão recebendo doações financeiras:

Cruz Roja

http://www.cruzroja.cl/

Chile Ayuda

http://chileayuda.com/?page_id=77

Um Techo para Chile

http://www.untechoparachile.cl/

Hogar de Cristo

http://www.hogardecristo.cl/

Cáritas

http://www.caritaschile.org/portal/index.php

Às vésperas do Dia da Mulher

A busca por um mundo melhor passa por explorar mais o lado feminino da humanidade

Leiam!

quinta-feira, 4 de março de 2010

URGENTE! DESESPERO!

Acabei de descobrir que o Moby toca em SP, no Credicard Hall, dia 23 de abril.

Por isso, tenho duas dúvidas:
1- quem quer ir no show comigo???
2 - você, que quer ir no show comigo, pode comprar um ingresso para mim???

Já perdi o show do Moby uma vez e não estou a fim de perder a segunda.
QUEM VAI COMIGO?????

quarta-feira, 3 de março de 2010

Tempo amigo, seja legal

Esse é um trecho de uma música do Pato Fu, "Sobre o Tempo".
Só porque o tempo passa MUITO rápido, verdadeiramente.
Minha última atualização aqui foi há duas semanas... e vocês ainda estavam carnavalizando. Duas semanas depois, entrei no meu último mês aqui. Já?

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Para abrir o post com chave de ouro, atendendo a pedidos, atualizei meus álbuns no Picasa.
São eles:
Luzern:
De 15 a 19 de fevereiro de 2010:
Berna:
De 22 a 26 de fevereiro de 2010:
Gruyères:

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Berna, de urso
Eu acho estranho ficar tanto tempo em um país sem conhecer a capital. É quase um tipo de ingratidão.
Então fomos para a bela Berna, onde vi um urso pela primeira vez na minha vida (mãe e pai, me corrijam se eu estiver mentindo, mas a nítida impressão é de que foi pela primeira vez mesmo. Não lembrava de ter visto ursos no zoológico quando a gente ia que eu era pequena)
A cidade é encantadora, pequenina, simpática, bonita, tem um rio (de novo!), tem museu do Einstein, tem prédios grandiosos, tem um relógio muito lindo e legal, tem um centro medieval, tem um parlamento grandioso.
Até aí, nada de realmente novo. Já estava começando a achar que a Suíça é, inteira, muito parecida. Tanto que ia dormir lá e acabei voltando para Genebra, porque deu para conhecer tudo em um só dia.
Mesmo assim, Berna tem um jeito único, uma catedral linda, um parque dos ursos.
E tinha um carnaval! Dessa vez, nós não fomos atrás do carnaval como tínhamos ido a Luzern. Mas o Carnaval nos pegou em Bern também...
E tem um tesouro escondido bem pouco conhecido: um Centro de Cultura e Museu do Paul Klee. Que tem todo o acervo do cara, conta a história de vida dele, tem as principais obras dele, e fica em um prédio um pouco longe do centro da cidade com uma arquitetura fantástica e uma vista linda e esculturas de gelo. Definitivamente, um dos pontos altos da visita a Berna - junto com o relógio, o urso, e o parlamento.

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Gruyeres
Gruyeres é, então, a cidadela encantada dos contos de fada, cercada por muros medievais, com o castelo lá no alto, fabricante de um queijo que é um esplendor, localizada em um vale lindo no que eles chamam de pré-Alpes, e cercada de montanhas dessas que a gente acha que só nos filmes é que elas existem.
O dia em Gruyere foi feito de babar na paisagem, visitar o castelo, e comer um fondue no hora do almoço loucamente delicioso. Aquele sábado foi a nítida sensação de que a gente precisa muito pouco além de paisagens deslumbrantes, um paladar deliciado, a barriga quentinha de fondue, e a leve sensação de estar um pouco embriagada pelo bom vinho suíço para ser feliz.
No final, uma visita ao famoso Bar do Alien foi a "cereja transgênica do bolo chamado Gruyères".

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Próximas paradas:
Interlaken
Yvoire e Annecy
Zurich

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Ninguém aqui dá a mínima bola para o Oscar. Eu mal sei os filmes que estão concorrendo. Eles mal estão em cartaz. Nenhum jornal indica os candidatos, nenhum cinema explora a proximidade ao Oscar como uma forma de marketing e promoção.
Nessas horas eu só posso concluir que a Suíça é muito auto-suficiente e o Brasil, muito americanóide.
Eu mesma, como brasileira que sou, estou com saudades daquela corrida ao cinema que sempre acontece em fevereiro/março no Brasil. Ano passado mesmo, passei meu carnaval internada em uma sala de cinema. Quando chegou o Oscar, eu tinha assistido todos e até torcia pelos meus preferidos (ah, como eu amei Milk e com eu torci pelo Sean Penn, torci mesmo, de verdade).
Esse ano, não. Esse ano fui parar de pára-quedas na sala do A Serious Man e só descobri dois dias depois que ele é um dos candidatos ao Oscar. Mesmo assim, ainda não me desceu muito bem esse novo dos irmãos Coen, e eu não sei se eu gostei.
Hoje, em compensação, vou assistir ao Sherlock Holmes, que eu estou postergando há tanto tempo. Desde o Natal em Londres, mais especificamente.

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Nessa cidade, calvinista, que dorme cedo e fecha cedo e amanhece tarde, idas ao supermercado são limitadas aos finais de semana (quando eu invariavelmente viajo, como vocês têm percebido) ou aos horários do almoço.
Mas essa segunda feira eu não podia fazer compras na hora do almoço e me deparei em uma crise de abastecimento sem precedentes nessa minha breve história suíça.
Lavar o cabelo? Não tem shampoo.
Escovar os dentes? Uma migalhinha espremida de pasta de dente.
Comer? Pão e só, ainda assim, só se for seco goela abaixo.
Daí descobri uma informação preciosa: o Migros do Aeroporto fica aberto até 21hrs!!!!!!! EEEEEEEEEEEEeeeeeeeeeeeeeeeeee
Cheia de pique, energia, e vontade de fazer compras, fui para casa, deixei para trás o salto alto, me muni de uma mochila vazia e duas bolsas de pano e fui aaaaaaaall the way até o aeroporto - que não é longe em números exatos, mas que considerando o tamanho de Genebra é REALMENTE LOUCAMENTE LONGE.
Comprei bastante, mas não tudo o que eu queria.
Supermercado aqui é assim: a partir de certa hora, as prateleiras não são mais repostas, e se não tem o que você quer, uma pena: senta e chora.
Voltei para casa tarde para caramba, feliz da vida, pensando no cardápio do jantar, e com uma vontade louca de lavar roupa.

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Dessas coisas de dona de casa, eu só não tenho vontade de limpar.
Até agora não passei uma vassourinha sequer no meu quarto.
Mas tudo bem, dado que ele fica o dia inteiro fechado, e que eu mal fico em casa.

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Hoje decidi me tornar mais culta e inteligente, quase chegando ao limite extremo do que pode ser uma pessoa cabeçuda. Lerei a tese de doutorado de um dos diplomatas daqui, para re-acender a chama da minha curiosidade filosófica.
O tema? Heidegger's Phenomenological Interpretation of Aristotle.
No email ele escreveu, ele mesmo, o autor da tese, que eu posso parar com o meu tarja preta para a insônia. Ele consegue ser um bom piadista.

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Hábitos adquiridos que eu não quero perder nunca mais:
- banalizar o vinho: em qualquer canto, a qualquer momento, un verre du vin rouge s'il vous plais.
- musli + iogurte pro meu dia nascer feliz com um café da manhã saudável.
- chegar em casa à noite e ir para a varanda, ver esse céu enorme, ver os telhados dos prédios de Genève, ver os Alpes. (eu fico vendo aquele céu todo e pensando: "São Paulo tem tanto prédio que quase não tem mais céu!")

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Coisas das quais eu sinto falta, rotina para a qual eu quero voltar:
- me cuidar com essas coisas: acupuntura, yoga, terapia, caminhadas/corridas ao ar livre.
- banalização do cinema. (pagando 18 CHF por sessão, cada cineminha é um passeio de luxo)
- rodízio de sushi e carne vermelha (que seja um bifinho, não precisa ser churrascaria não).

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Mudanças de paradigmas:
- pegar quinze minutos de trânsito no caminho para o trabalho, devido a um acidente, já me fez falar: "Nossa, hoje eu peguei um trâââânsito para vir para cá!"
- oito graus e sol? É quase verão.
- o mesmo diplomata filósofo que me mandou a tese me disse que a cada dia ele se depara cada vez mais com seu próprio e inescapável cinismo com relação à vida, ao mundo, à profissão, às pessoas. Meu lado Poliana que reluta contra isso está perdendo força para meu lado um pouco descrente, que cresce com força. Algum dia eu viro cínica.

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Terça musicais
Na terça outra: Jam session na AMR, Association pour l'encouragement de la Musique ImpRovisée
Na terça passada: idem
Ontem: show de Flamenco, o ritmo não a dança, no Le Soleil Rouge*.
* O Le Soleil Rouge vai abrir uma filial em São Paulo. Eu é que vou levá-lo para lá. Pelo menos entre meus amigos ele faria sucesso. Ele consiste em um buteco de vinhos espanhóis. Lugar para sentar não tem, então todo mundo fica de pé, apoiado no balcão, tomando bons vinhos. Se você quer comer, você vai até a cozinha comprar seus tapas - rápidos e gostosos e espanhóis. Mensalmente eles fazem shows de Flamenco, o ritmo não a dança, lá. Então, é o ritmo e a sonoridade gostosa do violão espanhol, com o drama da voz na música espanhola. O show foi fantástico.

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Março já é fim de inverno e começo de primavera, a cidade fica mais clara, tem mais luz do dia, tem mais horas de dia.
Março tem o retorno da vida à Genebra, e a cidade fica movimentadíssima.
Começou segunda feira a reunião do Conselho de Direitos Humanos na ONU. Essa semana, ministros de Estado estão aqui fazendo seus discursos na Salle XX do Palais des Nations. E será assim o mês inteiro... ou seja, muitas pessoas dos países, ongueiros de todo o mundo, diplomatas... todo mundo lotando a ONU.
Começou ontem para a imprensa e sexta para o público o Salão do Automóvel de Genebra. Descobrimos no ônibus, falando em português em alto e bom som que "Genebra só pára para o Salão do Automóvel porque a cidade é muito pequena, e não porque o Salão do Automóvel é grande", que na verdade esse daqui é um dos quatro maiores salões do automóvel do mundo. Foi o jornalista da Quatro Rodas, que viaja o mundo vendo salões do automóvel, quem nos disse. Então eu achei melhor acreditar, porque de salão do automóvel o cara deve entender.
Começa hoje também um festival musical Voix de Fête, que acontece anualmente em vários bares, com várias bandas, algumas mais famosas do que outras. Eu quero ir, definitivamente.

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O preço a pagar pode até ser alto, mas quando tem recompensa, ela é mais alta ainda.
Esse mês estará recheadinho disso, dessas pequenas surpresas que só Genebra e suas Organizações Internacionais podem te oferecer.
Hoje na hora do almoço, em um side event do Conselho de Direitos Humanos feito pelo governo cubano, assisti a um documentário sobre as ações dos médicos cubano no Haiti pós-terremoto. Lavagem cerebral à parte, o filme é bem bacana.

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Dúvida existencial: incluir ou não a Costa Amalfitana no meu roteiro?
Uma parte de mim fala que a vida é agora e que seu quero ir para lá, eu devo ir.
A outra parte de mim fala que eu quero ir mesmo para lá na lua de mel, então que eu devo esperar.
Mas aí vem a outra parte e fale: mas se nem pretendente você tem, por que diabos você está pensando na lua de mel?
Ok. Costa Amalfitana aí vamos nós.

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Da atividade laboral
Mês de março tem:
Conselho de Direitos Humanos na ONU
Governing Body na OIT
Convenção sobre o Tráfico Ilícito de Tabaco, na OMS
Acho que vai ser emocionante, a chave de ouro que eu queria.

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Mês 1:
chegada, acostumando com a cidade, desapontamento do desânimo, e depois empolgação com isso aqui, com os novos amigos, com a nova rotina, com a língua, com tudo tudinho, paixão absoluta. A neve é linda.
Mês 2:
rotina estabelecida, cansaço do trabalho, desgosto com a vida, muitas filas do UPR, briga com o chefe, briga com o chefe, briga com o chefe, as coisas boas ganham nuances, as coisas ruins se acentuam, o carnaval faz muita falta. A neve cansa.
Mês 3:
decidi não pensar:
na aflição de voltar pro Brasil e em como as coisas estarão por aí,
nas saudades que começam a ficar muito difíceis,
nas saudades que eu ficarei daqui, principalmente dos meus amigos e da minha rotininha,
em como vai ser chegar diferente em um Brasil que está ficando diferente,
nas coisas ruins do trabalho.
Decidi de viver muito isso aqui e só.
O resto depois a gente vê.
Até porque eu não vou entrar em um ciclo similar ao que eu entrei no Brasil no final do ano. Já conheço isso, já sei o que é isso, pronto. Não preciso repetir.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnavália

Fiz uma seleção de trechos de músicas brasileiras para ilustrar esses meus dias frios e com muito trabalho aqui na Suíça, enquanto vocês aí estão na esbórnia carnavalesca dos trópicos.

"Todo dia ela faz tudo sempre igual / me sacode às seis horas da manhã / me sorri um sorriso pontual"
(Cotidiano, Chico Buarque)
Primeiro dia de fila. Acordei seis horas da manhã. E aí, sete horas da manhã na ONU.
Era ainda noite, nevava, fazia frio. Muito frio, tipo menos cinco. E nós lá - finas, maquiagem, salto alto. Todos os diplomatas dos outros países lá presentes tinham a cara amassada, assim como a gente. E, já que estamos em uma situação adversa, todos juntos, vamos tentar ser simpáticos uns com os outros. Mas eu fiquei com a impressão que simpatia nenhuma é suficiente naquele horário, sob aquelas condições.

"Quaquaraquaquá, quem riu? Quaquaraquaquá, fui eu..."
(Vou deitar e rolar, Baden Powell e Paulo César Pinheiro)
Então quando a crise se instala no grupo e parece que todo mundo (todo mundo, eu digo, a parte lúcida do grupo) vai sucumbir de tensão, cansaço, angústia, revolta e desapontamento, fomos comer no McDonalds.
E comemos e rimos e falamos alto e fizemos piada e falamos mal de um tanto que a barriga doeu e eu cheguei a, literalmente, chorar de rir. E isso durou muito tempo, uma hora e meia, duas horas, quizá. Tudo isso de risos esgoelados.
Mas aí, essa é aquela sensação de exceção, de situação extrema. Parece que a gente está dando muita risada e isso parece muito fora do lugar. Está tudo errado. E estava, mesmo. Aquele era o riso dos desesperados, não o riso dos relaxados. Sob pressão (e aqui estamos constantemente sob muita pressão, de um jeito que chega a fazer mal pela forma como as coisas são postas), rimos desesperadamente.
Quando eu cheguei em casa, o silêncio parecia pesar em cima de mim. Era como se o desespero que saiu no jantar na forma de gargalhadas estranhas, tivesse tomado forma como um peso absurdo, uma força da gravidade imensa, que fez meus ombros doerem e minhas sobrancelhas enrugarem a testa. Nessa quinta à noite, foi uma das vezes que eu mais pensei no Brasil e nas saudades de muitas coisas daí, e como eu gostaria de ter meus bons e velhos amigos, meus pais, meus irmãos, para poder ser escutada em minha revolta. Mas enfim, fiquei em silêncio, com dor nos ombros.
Nesse exato instante, pensei que eu pudesse estar experimentando alguma reação bipolar - como pode alguém, em meia hora, oscilar entre gargalhadas absurdas e dor no ombro? Mas aí eu decidi que o melhor a fazer seria parar de pensar e dormir. E foi o que eu fiz, me esparramando em minha gigantesca cama de casal com vista para os Alpes naquela estrelada estreladinha noite gélida.
A falta de vontade para acordar às cinco da manhã para ir para a fila de novo reinou, mas a sensação de grupo falou mais forte e lá fui eu para fazer a "troca de turno" com a pessoa que passou a noite na ONU. Dessa vez, o meu turno era das 6 às 9 da manhã, e inscrever oficialmente o Brasil na lista fazia parte dos meus atributos. Mas a pessoa do turno da madrugada não quis largar o osso, então ficamos em três. Se eu soubesse que era só para fazer companhia, e não para trocar de posto (como previamente planejado) eu teria ficado em casa sob o conforto dos meus lençóis. Ao invés disso, estava lá, no estacionamento da ONU, vivenciando uma "situação sui generis".
Quem riu? Fui eu.

"Eu quero é botar meu bloco na rua / brincar, botar pra gemer / Eu quero é botar meu bloco na ria / Ginga para dar e vender"
(Eu quero é botar meu bloco na rua, Sérgio Sampaio)
Luzern é linda. Parece aquelas encantadoras cidades que a gente acha que só existem nos cenários dos filmes. Um lago, montanhas, e casinhas alemãs.
Mas aí, no meio de tudo isso, no meio da rua, no meio do nada... andando entre as vielas, um bloco de carnaval! E outro, e outro! E quando a gente vê, quase se sente no Rio de Janeiro com tamanha profusão de blocos... as fantasias são elaboradas, as músicas também, mas nem de perto se assemelham a o que acontece no Brasil. Mesmo assim, é mucho loco andar pelas ruas de Berna se sentindo no barulhento mundo do Carnaval.
São muitos os blocos, por todos os cantos, pessoas sorridentes e felizes, realmente muito bêbadas também.
O frio castiga. Menos sete é aquela temperatura que, depois de um tempo, congela as bochechas e falar fica um pouco difícil, fora a sensação constante de dormência nos dedos dos pés e das mãos. Mas aí eu e a Catherine usamos a estratégia de duas horas de durabilidade. Depois disso, íamos sempre para algum lugar quente tomar chá e amolecer os dedos dos pés.
O pessoal que ficou em Genebra para o final de semana ficou pulando de bar em bar, na enorme profusão de carnavais brasileiros que aconteceram por aqui.
Eu fui a Luzern, em uma oportunidade única de ver e viver o carnaval suíço. Adorei.

"Ê! Ô ô! Vida de ga-a-do! Povo marcado, ê! Povo feliz!"
(Admirável Gado Novo, Zé Ramalho)
Daí foi assim. Cinco da tarde estourou-se a bomba que a fila na ONU já tinha começado, batendo todos os recordes de todas as outras filas. Eu me inscrevi, rapidamente, para o turno da fila das 21hrs às 24hrs. E logo saí, fugida, do escritório, para conseguir fazer o que eu tinha que fazer. Mas não consegui comer... resultado: o Amjr, que estava me levando para a ONU às nove, parou para comprar comida.
Depois de passar pela barreira dos seguranças, indefectíveis, veio a cena patética: eu lá, de cócoras (porque o chão estava sujo para sentar) no estacionamento da ONU, jantando meu kebabzinho, a menos três graus e dedos começando a doer. Quando finalmente chegou a chave da van que seria nosso abrigo durante o "turno da noite", veio a música na cabeça: povo marcado, ê, povo feliz... Então, eu e Nana, minha xará e amiga e companheira mais apertada daqui de Genebra, tivemos de novo nossos acessos de bobeira sentadas na van passando frio e ouvindo o GPS da van em italiano. Fizemos planos de ligar a van e sair do estacionamento da ONU fugindo para Paris... Mas acho que fomos caretas demais para isso. De qualquer forma, conversamos muito e demos, realmente, muita risada.
Meia noite, hora de troca de turno, ainda fizemos um "h" com a pessoa do próximo turno (o turno da noite inteira - 00hrs - 06hrs). E pegamos o último tram para casa, das 00.47, saindo da arrêt Nations.

"Eu fico com a pureza da resposta das crianças / é a vida, é bonita, e é bonita!"
(O que é, o que é, Gonzaguinha)
Hoje acordei mais tarde e vim trabalhar mais tarde. Merecia, após a noite de ontem.
Genebra não tem perua escolar como em São Paulo. Então os professores, em um grupo de 3 ou 4, levam todas as crianças para cima e para baixo de transporte público. E essa é uma cena bem comum, pelo menos nos ônibus que passam pela minha região.
Hoje quando chegou o 11 Jardin Bothanique das 10.57 pela minha casa, eu via MILHARES de pessoas dentro do ônibus e não entendia nada do que acontecia... quando eu entrei, eu percebi que ele estavam lotado porque as crianças estavam aos montes dentro desse ônibus. E todos os adultos, usuários normais do transporte público, se espremiam no corredor. Então estava UMA FARRA no ônibus, bagunça, barulho. E ainda por cima, a cada curva no ônibus, enquanto os adultos tropeçavam no ônibus e tentavam se equilibrar, as crianças davam risada. Após uma hora, todos os adultos, e as crianças, estavam morrendo de rir.
Entrar naquele ônibus hoje, cheio de crianças sorridentes e barulhentas, me deu outro pique para o dia e para a minha temporada aqui.

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Postei aqui no blog, como prometido, algumas fotinhos da Vieille Ville e do Carouge. Eu amo a minha vidinha em Genebra.

Carouge

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Vieille Ville

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Novidades virtuais

Fotos da semana que as minhas primas estiveram aqui:

Fotos de Chateau D'Oex:

Fotos da semana passada por aqui:

Vídeo de Paris:

Vídeo de bobeira:

Hoje estou muito cansada para contar histórias, depois eu conto mais um pouco da vida aqui.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Das coisas que causam emoção

Das coisas que eu amo:
- ônibus Bout du Monde das 19.34
- chuveiro quente do Monsieur Mariano
- cia do M. Mariano para o jantar, pela primeira vez em um mês!
- ficar bebinha de vinho em plena quarta feira, com o senhor que me aluga o quarto, e o amigo dele espanhol que veio visitar
- diplomata humilde e que dá risada das minhas piadas e que troca uma boa idéia, humana, sobre muitas coisas pouco relevantes do mundo
- sentar na mesa com a Ministra da Nicarágua, ser abraçada por ela, e chamada de "Mi Querida!". Ela não se importa com protocolos e afirmações baratas de autoridade, e vai para a ONU de sapato baixinho e vermelho.
- croissant com capuccino do Bar Serpent, no Palais des Nations. De preferência, saboreados diretamente daquelas poltronas mega confortáveis com vista para a neve e o lago.
- encontrar o delegado do Peru e o delegado da Argentina nos corredores do Palais, e ser cortejada por eles, mesmo que nesse jeito latino de beijar a mão e não olhar mais na sua cara. Mesmo assim, é bom.
- Virgin Radio France, 90,10FM de Genève
- neve, muita, de novo! Sempre é lindo e parece dos sonhos!

Das coisas que eu odeio:
- autoridade batendo porta na minha cara por eu ser estagiária
- acordar cinco e meia, pisar na neve ao longo de toda a ONU gigantesca, chegar em uma fila exclusiva de diplomatas sendo a única estagiária, estar esbaforida, sem maquiagem, e sem a finesse que lhes é peculiar (afinal, sete da matina de um dia com muita neve, como é possível manter a impecabilidade em condições desumanas??), colocar o Brasil na fila em 14, e ainda ouvir de diplomata que ficou dormindo no conforto do lar que 14 é um péssimo lugar na lista de oradores
- Casa Grande e Senzala, nessa visão de Senzala que estou tendo, mas mesmo da Casa Grande, o pior cego é o que não quer ver. Sabe como?
- injustiças e coronelismos aplicados nesse microcosmo que para mim nada mais é do que aquele choque de realidade básico. Durma com todos esses baldes de água fria, Mariana, e depois me conta o que você pensa sobre a tal da elite pensante brasileira.
- acho que da próxima vez que me incluírem no grupo da "elite pensante brasileira", vou cuspir no chão de tanto nojo.
- não sei a que ponto esse choque de realidade é bom ou a que ponto ele pode me tornar uma das pessoas mais amargas e desiludidas que eu já conheci.
- neve, muita, de novo! Caramba, já não deu de neve esse ano??

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Hors Concurs
A humanidade se tornando o maior multiplicador de desumanidades.
Quer aumentar a contradição e brincar um pouco mais com as palavras?
A humanidade se tornando o maior multiplicador de desumanidades em pleno Conselho de Direitos Humanos.
Como hoje bem disse a Tam, "nossos relacionamentos estão doentes". Mas para essas coisas, alopatia e médico não dão conta. Cadê a homeopatia de toda a humanidade?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Minha avó já me dizia

preu sair sem me molhar / mas a chuva é minha amiga / e eu não vou me resfriar"

OU
Tá na chuva é para se molhar.

E suas variáveis:
Tá no inferno, abraça o capeta;
Tá na lama, chafurda;
Tá na neve, congela o pé.

Enfim:
You can't always get what you want.

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Pois é.
Chegou ao nível de desespero e decepção que eu não queria que chegasse, mas chegou.
Minhas apostas nisso daqui ao longo de todo o ano passado foram muito altas para isso.
Eu ainda não consigo ver onde eu estou me desenvolvendo profissionalmente, fora algumas poucas e boas oportunidades de ouro.
Além do valor financeiro que eu precisei juntar, ano passado camelei muito, então já paguei adiantado um preço muito alto por estar aqui. Eu acreditava nisso aqui. Eu apostei mesmo, com vontade e convicção.
De novo, não custa repetir: EU ACREDITAVA NISSO AQUI.
E ainda me sinto uma sortuda de não ter precisado pedir demissão para estar aqui. Eu pediria, ano passado, se tivesse sido necessário. Não foi. Ufa, pelo menos isso, eu volto para o Brasil com o meu trabalho garantido (um fator de desespero a menos). E ano passado, para as meninas que virão nos próximos trimestres que me perguntavam se eu acho que compensaria pedir demissão, eu sempre disse que sim a elas. Hoje eu já não diria mais.
Hoje, um mês depois dessa rotininha de trabalho, estou lutando contra a correnteza para ficar feliz no meu trabalho.
E é como eu já disse: o maior benefício profissional para mim, uma vez aqui, é um emprego na ONU e uma propaganda legal do Akatu por essas bandas. Então após um mês testando o terreno e entendendo como as coisas funcionam, decidi que será só nisso os meus dois focos para os próximos e curtos tempos que tenho aqui. E vou carpintar e trabalhar para isso.
E agora, além de tudo, estou lutando contra o "fator revolta". Porque se eu deixar que ele se apodere de mim, aí sim a coisa vai ficar feia a valer.
E a que se deve o fator revolta, ó caro leitor que pergunta?
Oras, o fator revolta se deve ao grande investimento com baixíssimo retorno, ao trabalho de peão que a gente faz. O fator-revolta se deve à fazer materiais e materiais pró-forma, que todo mundo sabe que ninguém vai ler. O fator revolta se deve às inúmeras traduções que temos que fazer (porque, de fato, todo mundo aqui se matou de estudar na vida para ficar fazendo tradução para diplomata).
O fator revolta se deve, principalmente, à questão DESUMANA da fila do UPR. Nesse caso, a gente tem que ficar no meio da rua na porta da ONU desde madrugada, sob frio, neve, apenas para que o Brasil esteja bem posicionado na lista de speakers dessa reunião que "revisa" determinado país sob o ponto de vista dos direitos humanos. A desumanidade disso é comparável apenas à desumanidade da auditoria da IBM. Sete meses depois de um mês de auditoria desumana, eu descobri que não era isso que eu quero para mim e pedi demissão da IBM (óbvio, levando em conta zilhares de outras coisas).
Mas a questão é essa: trabalho voluntário, pago com suados francos suíços, não deveria passar nem perto de ser desumano. AINDA se tivesse o fator desumano mas o trabalho representasse um grande ganho sem precedentes para a minha carreira, tudo bem. Não é o caso. Mas sei que se o "fator revolta" me dominar, a coisa vai ficar preta. Por isso que hoje vim de blaser vermelho-vermelhão: para me dar energia contra o fator-revolta.

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Não posso, no entanto, ser ingrata com as coisas históricas que tenho vivido aqui.
Ontem à tarde sentei na mesa de negociação com a Ministra de Interior da Nicarágua. Nunca poderia imaginar que isso algum dia fosse acontecer. By the way, hoje e amanhã sento de novo na mesa com ela e sua trupe (óbvio que eu sou apenas uma parte da trupe brasileira, a que senta mais no cantinho, quase que caindo para fora da mesa - mas mesmo assim sou eu, lá).
Há quinze dias vi ao vivo nosso Ministro Celso Amorim discursar na Sessão Especial do Conselho de Direitos Humanos sobre o Haiti. Eu participei um pouco do desenvolvimento do discurso dele. Isso é lindo. E na hora que eu estava lá, ao vivo, vendo tudo aquilo, deu um embargo na voz, calafrios no corpo, sensação de reiki pela minha cabeça principalmente, e uma vontade louca de chorar.
Já tinha me sentido assim em algumas oportunidades em Copenhague. É assim que eu me sinto quando alguma coisa me diz que eu estou vivenciando ao vivo e a cores um momento histórico. E, é fato isso, nesses últimos meses virei colecionadora de momentos históricos. Nada mal para meus 27 anos.
E mais: tive a oportunidade de conhecer duas ilustres professoras da PUC de Direito, que participam das reuniões da ONU. Uma delas, conheci no próprio Palais (porque sou cara de pau e fui lá me apresentar) e depois a reencontrei vagando por Montreux, ela acompanhada por um namorado cinquentão gatérrimo. Conversamos um pouco à beira do lago e foi legal.
A outra, conheci domingo no café La Clèmence, quando perguntei se ela estava aqui como turista e ela disse que não, que faz parte do CEDAW da ONU. Ok, a conversa começou com uma cotovelada básica, porque ela é pessoa importante e age como tal. Mas depois eu consegui virar o jogo e ontem trocamos beijinhos no corredor do Palais, cada uma de nós indo para uma reunião, correndo, e ela foi um amor de doce de simpática. O Paulo ficou perguntando o que foi aquele sinal de intimidade todo, e eu respondi que "esperto é o pato, baby..."

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Também não posso ser ingrata com a experiência pessoal toda que estou tendo aqui.
Seria sacanagem.
Em Genève, de fato, tenho sido muito feliz e tenho crescido muito a cada dia.
Óbvio que, se fosse só pelo crescimento pessoal, talvez eu tivesse escolhido outra cidade, por tempos diferentes, e definitivamente gastando menos (porque baby, a Suíça é puro luxo, o supermercado mais barato daqui ainda assim é muito caro). MAS já que vim até aqui, então que seja bom e compense em pelo menos um dos aspectos.
Está compensando bastante no pessoal.

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Resolvi fazer compensar no meu francês também. Larguei dessa preguiça de ter conversas complexas em francês. Então eu olho para a cara do Amjr e falo: "regardez-moi. Talvez você não me entenda, mas você vai tentar me entender e vai me ajudar com o meu francês. J'irai essayer e nós vamos conseguir conversar direitinho". Ainda bem, nós temos conseguido conversar direitinho - e isso para mim é muito bom de verdade. Aí eu chego em casa e fico estudando francês, ou ligo a TV e fico ouvindo. E agora, no celular, só ouço rádios em francês que toquem preferencialmente músicas francesas. Resultado? Virei fã da música pop francesa contemporânea. Então se eu demorei um mês para sair da preguiça, tenho dois meses para ficar profissa nessa brincadeira de falar francês. Mas já percebi que esse sonho de ser poliglota algum dia é bem difícil, os nós linguísticos aqui são constantes. Porque na ONU é em inglês, com os países hermanos é em espanhol, com a Catherine eu a ensino a falar português, no escritório é fofocaiada em português e ainda por cima zuando de algumas coisas do francês, no meio da rua e com o Seu Mariano e o Amjr, em francês. Já viu, né? Maior confusão.

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Quando eu comecei esse post eu não me aguentava de revolta.
Agora já estou aliviada.
É só lembrar o quanto eu amo ma petite vie genevoise que tudo fica bem de novo.