quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

It's gonna be a bright sunshine day

Já estou com a sensação de que possivelmente três meses serão só o suficiente para dar um gostinho de quero mais.

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E então, dentro dessa ordem tão organizada, dessa cidade tão limpa, de tudo em seu lugar, eu me apaixonei pela cidade.

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Por enquanto, um dos melhores momentos da minha rotina é o ato de despertar. Eu lá, na minha grande cama de casal, acompanhada do meu edredom gordo, fico olhando pela janela. Meu tempo do snooze do despertador sou eu fazendo preguiça na cama e vendo o sol nascer laranja nos Alpes oito da manhã. Todos os dias que eu faço isso (e tem sido todos os dias que eu tenho feito isso), eu juro que eu penso que felicidade é muito simples e depende de poucas coisas e de um olhar querendo de fato enxergar essas poucas coisas.

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Fora esse final de semana em Paris, é bem provável que nos outros eu fique a conhecer a Suíça mesmo. Com honrosas exceções a Annecy, Lyon e Strasbourg, é a Suíça que eu quero conhecer e só. País bonito do caramba, nunca vi... É realmente de uma beleza muito impressionante.

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Então nos planos estão: Zermatt/Matterhorn, Interlaken/Jungfrau, Chateu D’Oex, Lucerna, Zurich, Berne. Tudo a não mais que três horas de trem de distância. E super incluso um desconto de 50% no paocte de demi-tariff que eu comprei. E agora que eu comprei, vou ter que usar para compensar o investimento. Ênfase no “vou TER que”.

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Andar de trem é muito legal mesmo. Amei minha viagem até Montreux. Fora a estada em Montreux, amei de verdade o trajeto, lindo, beirando o lago o tempo todo. Emociona, até.

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É aquela coisa: o trajeto é melhor que a chegada. O caminho é melhor que a estadia. Acho que é isso aí. Que seja sempre isso, porque senão essa obstinação por objetivos torna a vida uma lista de coisas a serem feitas e só. Desejo a todo mundo que desfrute muito de seus próprios processos, bons.

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Quero passar a Páscoa em algum lugar bem católico, para tirar fotos bonitas de procissões e comoções religiosas. Sugestões são aceitas. Acho que essas coisas eu só vou ver dentre os latinos, de forma que para as minhas férias Portugal e Espanha entram na lista, e talvez Rep. Tcheca e Áustria saiam. Não sei. Dúvida. Ajuda? Sugestões?

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Montreux é a Suíça um pouco fora da ordem. Dá para imaginar a baderna que Ray Charles, BB King, Frank Sinatra, o próprio Frank Zappa (Smooooke on the water foi escrita em Montreux), Freddie Mercury e sua turma, e Elis Regina entre outros devem ter feito no festival de junho? E todos os outros que fazem baderna até hoje então?? A cidade transpira arte, jazz, furdúncio. É uma coisa fantástica.

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Ao mesmo tempo, ela também transpira luxo. Se em Genebra isso já é banalizado, lá isso é tão mais que banalizado que chega a dar um engasgo no coração.

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Perdi 20 francos em meia hora de uma brincadeira qualquer no Casino de Montreux. E foi assim, com dor no bolso, que aprendi que com cassino não se brinca não. Lição aprendida.

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Montreux é o começo das paisagens oníricas dos sonhos suíços. Quando eu penso em paisagens oníricas, daquelas que nunca existem nem jamais existirão, penso em uma coisa que, na verdade, existe. E se existe, só existe na Suíça. Paizinho bizarro em tantas outras coisas, mas em beleza natural é imbatível. Isso porque eu mal comecei meus tours...

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Montreux é porta de entrada pros Alpes. Lá, a cidade se espreme entre o lago e a montanha, e sobre morro acima. Logo mais posto as fotos. Juro que arrepia de lindo. Para mim, a sensação de estar lá foi mais ou menos “nunca te vi sempre te amei”.

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Já que lá no escritório pega bem falar que chegou em casa e ficou fazendo relatório até uma e meia da manhã, resolvi começar a falar isso também. Assim eu me sentia mais parte da turma. Parou de ser legal quando isso começou a se concretizar: eu estava fazendo relatório até agora há pouco, e são cinco para onze da noite.

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Sexta feira fomos em um pub de expatriados aqui em Genebra, super conhecido pelas pessoas que trabalham nas organizações internacionais. Formou-se assim a congruência bizarra: éramos cinco brasileiros, quatro meninas estagiárias e o chefinho de todo mundo. A isso se juntou a Catherine, italiana sangue bom a quem eu tinha conhecido na noite anterior, e que trabalha na Anistia Internacional. Daí veio um soldado americano que estava de férias e quis vir conhecer a ONU para saber por que ele trabalha pela paz no mundo. Ele puxou papo no balcão e veio se sentar com a gente. Formou-se o misturada toda: cinco brasileiros, uma italiana (da Anistia), um americano (soldado de guerra, Iraque no currículo). Brasileiro atrai, é uma coisa de louco. É ímã. Todo mundo gosta de um bom brasileiro.

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A isso tudo, depois de um tempo somou-se um grupo de três imigrantes sérvios que estão aqui como refugiados de guerra há mais de dez anos.

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O soldado pagou uma rodada de tequila para a gente – porque o acolhemos muito bem. E a italiana ficou dançando com ele loucamente – segundo a frase do meu chefinho, era a “Dança de Shiva, porque afinal uma pessoa da anistia com um soldado ex-Iraque dançando, só pode ser mudança radical de paradigmas”.

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O americano já voltou pro seu país, Deve ser enviado para as forças de paz no Haiti. A italiana e os sérvios estão aí na parada. Todo mundo na brodagem de gringos em Genebra.

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Quinta vamos, todos juntos, no mesmo pub. É noite de karaokê.

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As chinesas continuam me perseguindo. Sábado, visitando o castelo de Chillon, conheci uma que trabalha pro governo chinês, na área de desenvolvimento e benefícios da indústria têxtil chinesa. Ela achou ótima a idéia do Akatu, consumo consciente. Eu ficava gritando em pensamento “SAI DAQUI SUA CHINESA MALUCA ESCRAVIZADORA DE CRIANÇAS PARA FABRICAR MAIS TECIDOS CHINESES E QUEBRAR AS INDÚSTRIAS DE TODO O MUNDO POLUINDO DEZ VEZES MAIS E EMPREGANDO GENTE DE CINCO ANOS DE IDADE. SAI DAQUI SUA CHINESA MALUCA QUE PROMOVE A EXPLOSÃO DA POPULAÇÃO MUNDIAL. AFOGUE-SE EM SI MESMA E DESAPAREÇA DO MAPA, CHINA DO CARAMBA”. Ela não percebeu que eu estava gritando tudo isso e acabou que tirou umas fotos minhas bem boas.

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Aliás, para os turistas solitários que querem boas fotos: peça para os de olhos puxados. São os melhores turistas-fotográfos, sempre. E vão sempre te atender com um sorriso amarelo de dentes tortos e balançar a cabeça de um jeitinho bem típico e bem engraçadinho.

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Não sei se eu já disse isso, mas não vejo a hora de encontrar minhas primas em Paris. Vai ser bem cool.

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Sou mesmo do inverno. Três graus me é absolutamente confortável.

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Couchsurfing é muito legal. É através dele que estou abrindo muitas portas e conhecendo muitas pessoas aqui. Estou adorando.

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E mais: dormir no sofá alheio é deveras divertido. Vou fazer isso em todas as cidades suíças que eu for.

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A reunião na OMS essa semana está dando ares de emoção para minha semana de trabalho, fora todos os outros relatórios e relatos de reunião para os quais já fui. Mas não quero abrir mão do karaokê de amanhã, nem do meu despertar mais gostoso com vista pros Alpes, nem do meu final de semana em Paris. É só uma questão de prioridade, e quando a gente sabe o que priorizar fica tudo certo.

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A Minalba de vocês aí é a minha Evian. Acho chique.

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Apesar dos pesares e de alguns problemas de comunicação e linguística que às vezes temos, terminar um telefonema ouvindo "grand bisou, ma chérie" é bom demais.

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No mais, nada mais.

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